Num contexto em que a economia digital tem cada vez mais importância, o tema do talento tem surgido como grande preocupação. Um recente inquérito do Eurobarómetro revela que três em quatro cidadãos europeus acreditam que a tecnologia vem beneficiar o trabalho. Mas qual o verdadeiro impacto deste contexto? Prevê-se, por um lado, que 75 milhões de postos de trabalho sejam extintos até 2022, por outro lado, que no mesmo período de tempo 133 milhões de novas funções venham a surgir. Assistimos a uma necessidade de requalificação e de pensamento estratégico no que concerne ao talento e às pessoas.
Em 2030, a procura de talento deverá ultrapassar a oferta em 16% (Future of Work – The Salary Surge), sendo 2020 o ano em que esta tendência de afastamento das duas curvas se começa a acentuar. Estes dados enviam uma mensagem clara: o talento é o ativo estratégico das economias modernas e vai ser decisivo na tomada de decisão sobre localização do investimento.
Na edição de 2019 do EY Attractivness Survey para Portugal, a EY deu especial atenção a este tema que se torna cada vez mais relevante para as economias e para a atratividade económica dos países e regiões. As preocupações sobre o tema foram verbalizadas pelas empresas e investidores. Nas respostas ao survey da EY, 36% dos investidores diz que Portugal deve ter um maior enfoque no desenvolvimento da educação e competências para se tornar competitivo e 51% considera que se Portugal pretende ser um líder na inovação deve reformar a educação e formação das pessoas em novas tecnologias.
A escassez de talento está no topo das preocupações de investidores. A boa notícia para Portugal é que os mesmos investidores admitem existir (ainda) facilidade em encontrar talento no País. Mesmo em áreas que já têm grande dificuldade em produzir talento de acordo com as necessidades do mercado, como é o caso das Tecnologias de Informação (60% dos investidores que responderam ao survey consideram que é fácil recrutar em Portugal).
Claro está, que o investimento que uma economia tem de fazer em talento é grande e pode levar décadas a surtir efeito. Ainda mais se estivermos a falar em formar futuras gerações. Tempo é o luxo que as economias não têm: impera assim que os países e os governantes se tornem criativos na forma de requalificar mão-de-obra enquanto (re)atraem talento. Pensamento estratégico sobre a educação, políticas públicas direcionadas à atração de pessoas e incentivos à formação e qualificação dos recursos humanos terão de estar nos objetivos de qualquer economia que queira competir na nova guerra por talento.
Para conseguir este feito será necessário um papel mais proativo das universidades e outros centros de formação, não só na atualização curricular para os que ingressão no seu primeiro curso, mas também em soluções de formação alinhadas com as alterações de necessidades das empresas e com foco naqueles que procuram formação contínua.
Além disso, e não menos importante, os empregadores sabem que a questão do talento é, na verdade, uma questão de vida ou de morte do seu negócio. Por essa razão, devem apostar em ser tão atrativos quanto possível para os que estão no mercado de trabalho. É necessário perceber que as “novas gerações” procuram uma experiência muito diferente das anteriores, e que é fundamental para empresas e investidores o alinhamento com aqueles com que querem trabalhar.
O tema de talento estará na ordem do dia nos próximos tempos, e sem dúvida que ainda existe um caminho a percorrer.