O problema.
Luís Murcho trabalhava numa empresa especializada em frio industrial, que criava grandes instalações para o mercado da cadeia agroalimentar. Era o responsável pelo desenvolvimento em 3D das instalações. O empreendedor lembra que, durante o seu percurso nesta empresa, o seu colega Gonçalo Santos – responsável pelo desenvolvimento de sistemas de automação e monitorização das instalações industriais – recebia constantemente telefonemas dos técnicos de manutenção. Porquê? Nem sempre os operadores conseguiam perceber qual era o problema de uma máquina. “Mesmo que tenham sido formados adequadamente, as tarefas de manutenção podem exigir a consulta de manuais técnicos, mas muitas vezes esta informação não existe ou é de difícil acesso, o que faz com que os operadores estejam quase sempre ‘cegos’ de informação”, adianta. E foi a partir deste cenário que os jovens empreendedores decidiram criar uma solução para facilitar o trabalho dos operadores. “Do problema surgiu o desafio: como é possível trazer toda a informação necessária e disponibilizá-la em campo, de forma direta e intuitiva? A resposta surgiu a partir da realidade aumentada, uma tecnologia que já conhecíamos bem”, conta.

A ideia.
Em 2016, Luís Murcho e Gonçalo Santos lançaram a Glartek, a plataforma de realidade aumentada que promete facilitar o acesso a toda a informação necessária para a realização das tarefas de manutenção na indústria. E como funciona? “Basta o operador apontar um smartphone para os diferentes equipamentos e aceder, em tempo real, a toda a informação que necessita em campo. É quase equiparado a um ‘superpoder’ onde o operador consegue ver a informação que está escondida na máquina”. Desta forma, garantem os jovens empreendedores, os técnicos conseguem reduzir o tempo na procura de informação, otimizar as suas tarefas e dar uma resposta mais rápida na resolução de problemas e ajudar no bom funcionamento de toda a instalação.

O resultado.
O primeiro grande teste à solução da Glartek foi no Centro Cultural de Belém, um edifício que consideraram tecnicamente um desafio. “O edifício possui 1600 km de cabos elétricos, 550 unidades HVAC, 700 sensores de temperatura, humidade e pressão, 280 painéis elétricos e 2600 sensores de incêndio”, revelam. Este ano querem trabalhar em mais projetos-piloto de modo a afinar a aplicação. O objetivo é lançar a primeira versão oficial da aplicação no segundo semestre de 2018. “Atualmente estamos a desenvolver cinco projetos-piloto em diferentes mercados: energia, águas, produção alimentar, imobiliário e logística”, adianta Luís Murcho. A Glartek foi no ano passado a única startup portuguesa a chegar mais longe no concurso de pitch do Web Summit.