Presentemente é quase consensual a necessidade e utilidade do intra-empreendedorismo como garantia do crescimento das organizações, vencedoras dos desafios dos novos tempos, adaptando-se a estes e às necessidades futuras. São diversos os exemplos apresentados, normalmente associados às grandes empresas ou às multinacionais, de empresas que obtiveram grandes benefícios económicos, sociais ou ambientais, devido ao intra-empreendedorismo.
Esperar que os colaboradores possam ajudar a desenvolver a empresa, requer a satisfação dos seguintes pressupostos:i) todos comunguem da estratégia da empresa; ii) os trabalhadores
se sintam motivados; iii) a gestão esteja disposta a ouvir o que estes lhe proponham. Seguramente que na maioria das empresas, que são usadas como exemplo, os três pressupostos ocorrem. E porquê? Em primeiro lugar devido à dimensão das empresas (maioritariamente
são grandes ou médias empresas), depois, devido às equipas de gestão, à formação permanente dos seus colaboradores (incluindo a equipa de gestão), à comunicação existente nas empresas e, por fim, devido à cultura empresarial.
Deixando de lado, numa primeira análise, a dimensão da empresa, os restantes aspetos estão associados à existência de uma estratégia clara e bem definida para a empresa. Por vezes, “estratégia” é confundida com “estratagema”, ou com o tão proclamado português “desenrascanço”. “Estratégia”, segundo Kenneth Andrews, significa saber qual o ponto de partida – onde a empresa se encontra, e que é bem definido pela sua missão, visão e valores –; onde a empresa pretende estar a médio prazo (e que tem que estar de acordo com os três elementos anteriormente referidos); e, por fim, quais os recursos que vai afetar e as políticas a adotar para essa “caminhada”. E este conjunto de elementos revela o tipo de organização humana e económica procurado, bem como a natureza das relações de natureza económica e não económica com a sociedade e partes interessadas. Isto, embora simples, representa uma exigência: conhecer o presente, pensar o futuro e planear essa viagem, que é mais ao menos o oposto da “navegação à vista”.
Os desafios que se colocam nessa definição estratégica estão associados à ética (os valores que regem a nossa atuação na empresa), à sustentabilidade (não focar no curto prazo) e à multiculturalidade na cultura empresarial (a coexistência de diversos padrões de valores, incluindo na comunicação). Diversos são os exemplos, nacionais e internacionais, dos custos elevados (reputacionais ou económicos) para organizações que se esqueceram destes valores essenciais.