Nunca é demais dizer que o setor da distribuição em Portugal, pelo que representa quer em volume de negócios, quer em postos de trabalho, só pela inovação e constante antecipação de tendências, conseguirá manter os níveis de performance a que o consumidor obriga e, em boa verdade, está habituado.

De facto, temos hoje um consumidor cada vez mais exigente, bastante informado e avidamente à procura da melhor experiência de compra, associada a preços justos e competitivos. Para dar resposta a estas “exigências”, a distribuição tem apostado na diversificação de canais, procurando soluções digitais e acessíveis, onde a sustentabilidade é um dos eixos prioritários.

Os desafios da inovação permanente e da transformação digital obrigam o setor a uma constante adaptação e antecipação às necessidades dos consumidores, com uma resposta que tem de ser rápida e eficaz. A melhoria da experiência de compra, para aumento da conveniência e bem-estar do consumidor é fundamental e todos os players, sejam do retalho alimentar ou especializado, estão focados nestes conceitos.

Não espanta por isso que estejamos a assistir a uma verdadeira revolução digital que tem impacto em todas as decisões de estratégia, orientada ao consumidor e à eficiência de processos. A aposta na criação de novos canais de distribuição adequados às novas tendências, antecipando e acompanhando a dinamização de plataformas e diferentes formas de negócio é uma prioridade. Isto tem de ser acompanhado naturalmente, com um reforço do investimento na melhoria da experiência de compra, aumentando a conveniência e o bem-estar do consumidor.

A própria logística está a sofrer uma profunda transformação. Por um lado, com o encurtamento acentuado do tempo de entrega dos produtos, e por outro lado com uma maior diversidade nas opções de entrega ao consumidor.

Há um longo caminho a percorrer, nomeadamente no crescimento do e-commerce em Portugal onde existem diversas barreiras que necessitam de ser ultrapassadas. Desde logo, a confiança dos consumidores neste formato, nomeadamente no que diz respeito aos pagamentos e à perceção de segurança a estes associados. Segundo um estudo da e-Commerce Europe, Portugal é o país da Europa em que a falta de confiança dos consumidores nos meios de pagamento no e-commerce é mais elevada. Isto tem de ser revertido.

Outro fator fundamental para o desenvolvimento do e-commerce no nosso país é a exigência de um level playing field entre operadores nacionais e internacionais numa lógica de equilíbrio concorrencial, com redução dos custos de contexto que impedem a sua competitividade interna e externa e com legislação que antecipe impactos decorrentes da economia digital, que não limite a competitividade aos operadores nacionais. Parece-nos de elementar justiça (competitiva, fiscal…). Mas esta, como tantas outras, não é uma matéria simples.

No “Barómetro APED 2018”, que foi apresentado em abril, foi identificada uma tendência para o crescimento das “lojas de proximidade” que proporcionem diferentes experiências para o cliente. Se juntarmos a esta tendência as alterações dos hábitos de consumo das gerações mais novas, com fortes preocupações ambientais e de sustentabilidade, percebe-se que esta é uma realidade que veio para ficar. A distribuição tem de ser capaz de ler estes sinais e estas alterações da realidade, onde a sustentabilidade é um pilar central para a APED e um compromisso de todos os seus associados. Estes compromissos estão refletidos na ‘Carta da Sustentabilidade’, no ‘Guia de Boas Práticas Ambientais’ e no ‘Compromisso Circular’, pelos quais se rege a atividade do setor, numa perspetiva de promoção do consumo sustentável e da saúde e bem-estar, em equilíbrio com o ecossistema. É por isso que se quer continuar a contribuir ativamente para os objetivos da agenda da descarbonização, da utilização responsável do plástico, da promoção da economia circular e do combate ao desperdício alimentar.

A distribuição, enquanto atividade económica que contacta com os cidadãos numa base quase diária, quer continuar a defender causas ambientais e sociais, com iniciativas de sensibilização junto dos clientes e população em geral. Assumem particular relevância as campanhas de âmbito nacional para a correta interpretação de rótulos e prazos de validade (combate ao desperdício alimentar) e a promoção do uso eficiente do plástico.

Daí ser também uma prioridade da APED o reforço da participação ativa nos processos de recolha e reciclagem sem impacto económico para os operadores e consumidores, mas com forte componente educacional e a participação nos processos legislativos que possam impactar o setor com contributos sérios e práticos que permitam uma melhor implementação e adequação à realidade económica.

Evidentemente que os desafios não se conseguem enfrentar sem uma correta planificação e, sobretudo, sem o contributo dos cidadãos. Comunicar eficientemente a inovação e os desenvolvimentos tecnológicos têm impacto e pode induzir comportamentos positivos na população. Esta é também uma das prioridades da APED e dos seus associados para os próximos anos. E todos têm de dar o seu contributo.