A profissão de operador de elevador era muito importante até meio do século passado. Sabendo disso, em 1945, um pouco depois do fim da 2ª Guerra Mundial, todos os ascensoristas de Nova Iorque entraram em greve. A cidade parou. Centenas de milhares de trabalhadores não conseguiram subir para os seus escritórios. A greve custou a Nova Iorque milhões de dólares. Passados 75 anos, a profissão está praticamente extinta. Os elevadores automáticos foram eliminando milhares destes empregos ao longo do século XX.

Os elevadores são apenas mais um exemplo da eterna luta entre a automatização e postos de trabalho. No entanto, o período que atravessamos em nada se compara com o que aconteceu nos séculos passados. A evolução da Inteligência Artificial, sensores, baterias, algoritmos, conectividade e processamento computacional, impulsionados pela cloud e redes sociais, faz com que estejamos a viver uma era sem precedentes. Enquanto, dantes, perdiam os empregos os operários fabris e agricultores, hoje em dia todas as profissões do mundo estão ameaçadas.

Nos dias que correm, já é possível, com softwares de Robotic Process Automation, automatizar diversas funções que até há pouco tempo eram impensáveis, como a de contabilista, administrativo, recursos humanos, marketing, informática, operações, vendas. Não podemos dizer que estas profissões tenham os dias contados, mas sim as funções repetitivas e padronizadas que existem dentro destas profissões.

Com machine e deep learning, já é possível colocar softwares a auxiliar médicos, advogados, jornalistas, professores, programadores, recrutadores, analistas financeiros, tradutores. De notar que estes softwares analisam, programam, avaliam, corrigem, cobram, pagam, escrevem, leem, muitas vezes de forma mais eficiente do que os humanos.

Com chatbots inteligentes podemos auxiliar operadores de call center, help desk, atendimento ao público. Dependendo da profundidade da solução, já é possível substituir parcialmente algumas destas funções por chatbots.

Com os robôs, já é possível auxiliar (em alguns casos substituir parcialmente) funções como a de estafeta, bartender, grelhador de hambúrguer, empregado de mesa, caixa, segurança, operador de máquinas de limpeza, farmacêutico, operador de trator, maquinista, taxista, pizzaiolo, padeiro, massagista, pedreiro, operador de empilhadores, rececionista, entre outras.

A velocidade da penetração vai depender, como é lógico, do custo benefício da implementação da tecnologia para a automatização de um posto de trabalho e do nível de aceitação do cliente/pessoa em relação aos robôs (vale a pena recordar que os primeiros elevadores automáticos surgiram na América em 1900, mas em 1945 as pessoas ainda se sentiam relutantes em entrar num elevador sem a presença de um operador de elevadores).

No início deste ano foi publicado um estudo da CIP, em parceria com a McKinsey e a Nova SBE, que revelou que os robôs eliminarão 1,1 milhões de empregos em Portugal até 2030. É preciso o quanto antes trabalharmos juntos, enquanto sociedade, para diminuirmos o impacto destes números. Diminuir o impacto não significa insurgir-se contra os robôs, como o que está a acontecer neste momento no Arizona, nos Estados Unidos, onde pessoas estão a vandalizar os carros autónomos da Waymo.

Significa aceitar os robôs na nossa sociedade e trabalhar em conjunto com eles, em parceria. Não há dúvida de que os robôs também representam uma enorme oportunidade. O crescimento e produtividade de Portugal dependem dos robôs e da automação. Só desta forma poderemos criar novas funções e empregos.