“Foi uma coincidência do destino. Foi assim que surgiu a ideia da Talkdesk”, revela Cristina Fonseca, empreendedora que desenvolveu a plataforma portuguesa que permite criar um call center em cinco minutos. “Após o curso de Engenharia de Telecomunicações e Informática, não sabia o que fazer na vida. Não aceitei nenhuma das propostas de trabalho que me fizeram. E algumas muito boas”. Durante um ano, Cristina decidiu trabalhar como freelancer em diferentes projetos, em conjunto com o seu colega de curso Tiago Paiva. Desenvolveram aplicações e websites, o que lhes permitiu aprenderem ainda mais sobre tecnologia, mas não viviam 100% satisfeitos. Na verdade, os jovens queriam ser empreendedores. E em 2011, por acaso, o destino deu-lhes uma mão. Ambos decidiram participar num simples concurso – cujo prémio era um MacBook Air – e ganharam! “Em 10 dias conseguimos criar a Talkdesk, para participarmos no concurso promovido pela plataforma de comunicação norte-americana Twilio”, relembra Cristina. Em pouco tempo, os dois jovens desenvolveram toda a ideia de negócio: um software, “as a service”, baseado na tecnologia cloud, que permite a qualquer empresa criar um call center em minutos. “Basta um computador e acesso à internet”, adianta.

Para começar a utilizar a Talkdesk, uma empresa terá de criar uma conta, indicando nome e email, registar o número de operadores que pretende e comprar um número de contacto (poderá optar por usar um contacto já existente). Todo o processo “demora cinco minutos e a empresa pode começar logo a usar o serviço, a receber chamadas dos clientes”, garante a empreendedora. As empresas devem ainda submeter na plataforma as bases de dados que utilizam (CRM, por exemplo), para que assim tenham acesso a todos os dados do cliente que está a ligar. “A ideia é que o operador consiga ver todas as informações sobre um cliente: nome, email, perfis nas redes sociais, o histórico das ligações, o que comprou, tudo no mesmo lugar e em tempo real”.

A maior vantagem da Talkdesk? O baixo investimento. “Contratar uma infraestrutura de comunicações ou um provedor de call centers implica algum investimento, o que para as pequenas empresas pode ser um problema. Com a Talkdesk, as PME pagam pelo que usam”. Além disso, e outra vantagem que a empreendedora portuguesa aponta, é que a solução permite que o operador trabalhe a partir de casa, por exemplo.

Inicialmente a Talkdesk foi pensada para servir as PME, mas hoje a startup tem clientes de maior dimensão. “Desenvolvemos a plataforma para empresas pequenas, mas temos clientes que já cresceram connosco. Temos um cliente que tinha cinco colaboradores e hoje já tem mais de 150”, revela Cristina. Atualmente, têm uma carteira de mais de mil clientes, sendo 90% empresas estrangeiras. Segundo a responsável, a Chevrolet e a Coca-Cola já utilizaram o serviço.
A plataforma é gratuita nos primeiros 14 dias. Depois, a subscrição mensal do serviço varia entre os 19 e 49 dólares por operador, acrescido do número de telefone comprado e o número de chamadas efetuadas. A Talkdesk espera faturar este ano 4 milhões de dólares.