O problema.
João Fernandes é apaixonado por Lisboa. Mas, para o empreendedor português a cidade tem um problema: o trânsito caótico. Determinado a mudar este cenário, decidiu desenvolver uma solução que facilitasse a mobilidade na capital. Em 2014, lançava a BuzzStreets, uma plataforma que reunia informação em tempo real sobre ocorrências que podiam interferir no trânsito da cidade – como acidentes, trabalhos nas estradas, obras –, permitindo às pessoas escolherem outro itinerário e às autoridades regularizarem o tráfego. Apresentou o projeto à Câmara Municipal de Lisboa e ao Ayuntamiento de Madrid, mas apesar do interesse acabaram por não aderir. João Fernandes não desistiu. Um ano depois é contactado por uma empresa que gere Canary Wharf, em Londres, uma área que reúne sedes de várias empresas. Queriam uma tecnologia capaz de gerir o fluxo de pessoas – todos os dias circulam no local mais de 120 mil pessoas! O empreendedor não pensou duas vezes e viajou até Londres. “Quando chegamos lá, afinal o cenário era outro. Não havia problemas com o tráfego. As pessoas não encontravam o que queriam e não conheciam os serviços disponíveis ao seu redor. A partir daquele momento, a BuzzStreets passou de outdoor para indoor”.

A ideia.
Após um projeto-piloto para Canary Wharf, em outubro de 2017, o empreendedor lançava oficialmente uma “nova versão” da BuzzStreets, desta vez como sistema de navegação indoor para localizar, orientar e direcionar as pessoas em espaços fechados. “A aplicação funciona de forma muito semelhante ao Google Maps. O nosso objetivo é facilitar a navegação, poupar tempo e melhorar a experiência dos nossos utilizadores”, aponta. Assim, através da BuzzStreets, uma pessoa que vá a um hospital pode saber facilmente onde é o consultório do seu médico sem se perder no edifício. O mesmo se aplica a aeroportos, estádios, universidades, centros comerciais e eventos – a app dirige-se ao mercado B2B. Quais as vantagens desta solução? Segundo João Fernandes, com a BuzzStreets “as empresas têm a possibilidade de controlarem o fluxo das pessoas e gerirem de uma forma mais eficiente o espaço. Além disso, depois de algum tempo de uso da aplicação, as empresas ficam a saber quais são as zonas mais visitadas, quanto tempo os utilizadores passam lá, qual o percurso feito dentro do edifício, por exemplo. Com estes dados, conseguem entender melhor o comportamento dos seus clientes e assim criar uma relação mais próxima”, defende.

O resultado.
O primeiro teste à solução trouxe grandes resultados. Tanto que, segundo João Fernandes, a empresa tem atualmente oito projetos em Portugal e Inglaterra. “Uma das conquistas mais recentes é o Chelsea & Westminster Hospital, que já tem a possibilidade de testar o nosso sistema de navegação. A segunda novidade é o projeto-piloto para o campeão inglês de futebol, o Manchester City. Em breve, os fãs do clube vão ter mais facilidade em encontrarem o seu lugar dentro do Etihad Stadium, evitando grandes filas de espera e o trânsito”, conta. Mas as vitórias também acontecem por terras lusas. O empreendedor adiantou que a BuzzStreets já criou um projeto-piloto para o Hospital de São Francisco Xavier e o ISCTE. “É importante ter esta gama de clientes, pois todos trabalham de forma diferente e, assim, vamos ganhando mais experiência. Visto não criarmos uma solução final para o cliente, temos de trabalhar em conjunto para introduzir melhorias e funcionalidades que venham a ser necessárias na aplicação. Afinal, uma funcionalidade que pode ser útil num hospital, pode ser desnecessária num estádio, por exemplo. Por outras palavras: as soluções da BuzzStreets são personalizadas para diferentes tipos de clientes e mercados”.