Sabe como é que a ideia do GPS surgiu? A partir de outra ideia. Precisamente, do satélite russo Sputnik, o primeiro do mundo a ser lançado no espaço a 4 de outubro de 1957. Na altura foi um momento histórico seguido por muitos cientistas. Dois deles: William Guier e George Weiffenbach, que trabalhavam num laboratório associado à Universidade Johns Hopkins, nos EUA. Ambos, numa conversa informal entre colegas sobre o satélite, questionaram-se se não seria interessante ouvir os sinais que este emitia. Colocaram mãos à obras e ao fim de umas horas conseguiram-no. Mais tarde questionaram-se de novo se não seria interessante calcular a velocidade que o satélite viaja no espaço bem como a sua trajetória. Também conseguiram-no. Foi então que o chefe de ambos, Frank McClure, lhes perguntou: já que conseguiram descobrir o local desconhecido do satélite em órbita no espaço a partir de um local conhecido na terra, porque não tentar o oposto, descobrir um local desconhecido na terra sabendo a localização do satélite? Bem, o resto da história – se não conhece – pode ler no livro de Steve Johnson, “As Ideias que Mudaram o Mundo – a História Natural da Inovação”. Na obra, o autor, que se tem destacado como um dos maiores estudiosos da tecnologia digital, conta esta e outras histórias de algumas das mais inovadoras ideias do mundo, defendendo que muitas foram descobertas que surgiram a partir de outras descobertas. “Nós absorvemos as ideias das pessoas que nos rodeiam, das pessoas com quem aprendemos, das pessoas com quem nos cruzamos no café, e depois juntamo-las todas e criamos algo novo. É nesses momentos que a inovação acontece”, defendeu Steve Johnson na palestra que deu sobre esta temática numa conferência TED em 2010. Nem todas as ideias resultam de momentos “eureka“. Nem todos os grandes criadores nasceram geniais e, isolados nos seus estúdios ou laboratórios, fizeram grandes descobertas. Em “As Ideias que Mudaram o Mundo”, o autor tenta demonstrar isso mesmo. Que no campo das ideias, a evolução depende dos meios em que pessoas diferentes entram em contacto. Ou seja: qualquer pessoa é capaz de criar algo inovador. É preciso, porém, saber cultivar. Além disso, Steve Johnson apresenta ainda outros padrões no processo de inovação: a aprendizagem a partir dos erros e as sinergias entre diferentes áreas do conhecimento, são dois exemplos.