Inovar é palavra de ordem nos dias de hoje. É uma questão de sobrevivência. No cenário atual da economia ainda mais – vivemos numa era cada vez mais competitiva e globalizada. Mas, inovar não é fácil, verdade? Sobretudo para as PME, que nem sempre têm um departamento de investigação e desenvolvimento. A inovação não está ao alcance de todos?A inovação já está ao alcance de qualquer empresa, seja grande empresa, PME, microempresa ou startup. Nesta altura, com as Tecnologias de Informação que dispomos, já não necessitamos de ter equipas de investigação e desenvolvimento internas. As plataformas de inovação aberta põem em contacto empresas de qualquer dimensão com desafios ou problemas específicos a uma rede de peritos/investigadores/pessoas com know-how, de qualquer parte do mundo, ajudando essas empresas a inovarem mais eficientemente e mais rapidamente.

A InoCrowd é uma dessas plataformas de inovação aberta, que ajuda as empresas a encontrarem as melhores soluções tecnológicas para os seus problemas. Como surgiu a ideia?
Exatamente. Sou farmacêutica e sempre trabalhei em áreas de investigação ou com medicamentos inovadores na área da Oncologia, Doenças Infeciosas e Doenças Autoimunes, mas queria fazer mais. Acreditávamos que um grupo restrito de investigadores (não mais de 15) iria encontrar a cura para o cancro da mama, por exemplo. Acredito no poder da partilha de informações e no trabalho colaborativo. O princípio da InoCrowd é assente no modelo de inovação aberta, que diz que nem todas as pessoas inteligentes podem fazer parte ou estar a trabalhar na nossa empresa. A ideia da InoCrowd surgiu por ver a necessidade do trabalho colaborativo e pela simples observação que muitas cabeças pensam melhor do que uma.

E como funciona a plataforma?
Uma empresa, que nós designamos por seeker, submete um desafio na nossa plataforma. Esse desafio é depois apresentado à nossa comunidade de peritos, que designamos por solvers. Um solver (fornecedor de soluções) é uma pessoa ou grupo de pessoas que se oferece para aplicar o seu conhecimento e especialização a um projeto através da plataforma da InoCrowd. Estes solvers têm de apresentar uma solução na plataforma, indicando o custo da solução e o tempo de implementação. Só a InoCrowd e a empresa seeker têm acesso às soluções apresentadas. O seeker avalia todas a soluções propostas de acordo com os critérios de avaliação anteriormente estipulados e que se encontram no desafio. É depois atribuído um prémio ao solver vencedor, e feita a transferência da propriedade intelectual da solução para o seeker. Há também um prémio atribuído ao segundo e terceiro lugar.

Qual o valor desse prémio? 
O valor do prémio ou incentivo atribuído ao solver vencedor é estipulado pelo seeker e o segundo e terceiro lugares recebem 500 euros. Geralmente o prémio dos desafios publicados na InoCrowd são de 5 mil euros, mas fica ao critério do seeker decidir qual o valor mais justo da solução de acordo com a dificuldade do desafio.

Que tipo de desafios podem ser apresentados pelas empresas na InoCrowd? 
Os problemas ou possibilidades de melhoria serão sempre necessidades de inovação ao nível do produto, processos ou na área social e de cidadania. Alguns exemplos típicos de problemas ou necessidades de melhoria que recebemos: inovação de produto – desenvolver células fotovoltaicas capazes de produzir energia suficiente para equipamentos móveis (PC e telemóveis) estando embutidas no próprio revestimento; inovação de processo de assistência pós-venda – desenvolver uma aplicação para resolução de incidentes de forma a que os próprios utilizadores resolvam os incidentes uns dos outros; inovação social – desenvolver um modelo de previsão do aumento de demografia por zonas geográficas, fatores ambientais, religião dominante e sistema político em vigor. A InoCrowd atua em todos os setores, mas o da saúde, banca, seguros, mobilidade, energia e economia circular são os mais comuns.

“A ANA Aeroportos, por exemplo, recorreu à InoCrowd com o intuito de resolver um desafio de captação de sinal de GPS no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.”


Quais as principais vantagens da InoCrowd para as empresas?
 
Uma das vantagens da InoCrowd é o facto de pormos ao serviço da empresa (seeker) uma comunidade de peritos (solvers) do mundo inteiro que pertencem a universidades prestigiadas, startups e spin-offs do mundo inteiro. Atualmente, a InoCrowd tem registados mais de 600 mil solvers e centenas de parcerias. Temos parcerias com quase todas as universidades portuguesas, as melhores universidades dos EUA (MIT, Carnegie Mellon e Stanford), universidades europeias, asiáticas, da Austrália e do Irão, o que nos permite ter uma comunidade de quase um milhão de solvers. Para além disso, e a vantagem mais importante de todas, a InoCrowd ajuda a resolver desafios de inovação em 4 a 6 semanas. Temos uma taxa de sucesso de 95%.

Pode contar-nos um ou dois casos de sucesso que tenham sido solucionados através da Inocrowd? 
A ANA Aeroportos, por exemplo, recorreu à InoCrowd com o intuito de resolver um desafio de captação de sinal de GPS no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. Outro exemplo: a Autoeuropa utilizou a nossa plataforma porque pretendia encontrar uma solução para evitar a destruição de seis carroçarias por ano. Até à data, a empresa do grupo Volkswagen tinha que destruir seis veículos por ano para avaliar a qualidade da soldadura a laser nos seus carros. Este ensaio destrutivo era muito dispendioso, para além de afetar a fábrica e muitos recursos humanos. A Autoeuropa queria um ensaio não destrutivo que fosse tão fidedigno como o próprio ensaio destrutivo. A solução veio da Faculdade de Ciências Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, do grupo de investigação da professora Rosa Miranda e do professor Telmo Santos, que apresentaram uma solução baseada num procedimento usado nas asas de aviões.

Para além dos casos de sucesso que mencionou, que outras empresas já aderiram à InoCrowd? 
A maioria prefere ficar anónima, mas já trabalharam connosco empresas como a Bosch, Câmara Municipal de Lisboa, EDP, Metro do Porto, Infraestruturas de Portugal, Navigator, Caritas, NOS, Sonae Indústria, entre outras. 

Existe algum custo de registo na plataforma para as empresas?
O registo dos solvers é totalmente gratuito. As empresas (seekers) para submeterem um desafio têm de pagar 5 mil euros.

Planos para o futuro da Inocrowd?
Acabámos de lançar em março a nova plataforma multilingue que vai potenciar a InoCrowd para a sua internacionalização. Os primeiros mercados onde queremos entrar são o Reino Unido, Alemanha, Japão, Dubai e China.