“O homem é ele e a sua circunstância”, José Ortega Y Gasset.

Design thinking pretende ser um termo universal mas não é. Nada de mais enganador. Enquanto processo mental está ligado a todos os que pensam ou exercem esta disciplina. E se isto é verdade, então o design, que é um tópico tão vasto e tão universal, obriga à criação de mindmaps e produtos que são o resultado do trabalho de pessoas e grupos com diferentes origens, experiências, vidas e culturas. O design é sempre diferente nas suas reflexões e nas suas propostas. E esse é um dos seus grandes fascínios. As circunstâncias moldam as formas de pensar, de construir e de descodificar programas. Depois de procurar respostas, e depois de fazer ensaios sucessivos num longo e nem sempre linear percurso até à realização final de uma marca, de um website, de um cartaz, de uma exposição, de uma cadeira ou de um avião, o designer precisa de dar respostas que são o fruto desse processo.
Nunca como hoje o design no seu todo esteve em tão grande e imprevisível movimento. As suas fronteiras mudam constantemente obrigando professores e alunos, profissionais, clientes, divulgadores e críticos, a releituras permanentes procurando compreender uma disciplina que nunca como hoje cresceu tanto e de forma tão inorgânica. Nunca como hoje foi tão difícil prever tendências e destinos.

Design thinking deve ser entendido como uma das componentes de um processo vasto que, antes de mais, tem que recusar a ignorância e a arrogância de pensarmos que as mesmas estratégias servem projetos diversos e que todos os recetores da informação e do conhecimento perceberão de igual forma a mensagem enviada. É um processo de cruzar múltiplas fontes do saber com um programa que o designer deverá e poderá melhorar até se chegar à encomenda. É ainda um processo que deverá ser o resultado do acumular de uma vasta experiência pessoal de estudo, de organização das ideias, de muito desenho antes de uma estruturação sempre complexa e difícil. O ideal seria não usar metodologias preexistentes de forma acrítica mas antes procurando colher o que de melhor cada uma tem e que melhor se adapte ao projeto que temos em mãos. A experiência de estudo, de ensino e de prática profissional ensina-me a ser prudente mas a ter também uma atitude de grande abertura ao que é novo convocando sempre a memória e a experiência aliados à procura de uma ideia original e inovadora.

Design thinking é a construção de uma história onde os conceitos, as cores, as letras, as imagens, os sons, as volumetrias, a espacialidade, a atenção, as emoções, a funcionalidade, a estética e a ética vão ser atores determinantes e solidários. E a forma como se “falam” é o resultado desse pensamento e da prática subsequente. E não tem que se associar necessariamente a uma encomenda.
Quando um designer habita um espaço público ou privado, usa ou contempla os objetos que os preenchem ou ainda recebe todos impulsos que lhe são enviados está, mesmo sem se aperceber, a elaborar sobre esse universo multidisciplinar.
Design thinking é, afinal, uma complexa elaboração do designer para que as suas peças sejam simples e eficazes. Uma contribuição para um design útil e não redundante em que o menos é mais.