Sem computadores, nem projetores para apresentações em slides. Raul de Orofino, ator e formador, pede às empresas onde dá os seus workshops de inteligência emocional uma sala vazia. E porquê? Porque precisa de espaço para trabalhar o corpo, a mente e as emoções dos participantes através de exercícios corporais. “Para desenvolver a inteligência emocional – o hemisfério direito do cérebro, que é o lado das sensações e da intuição –, utilizo exercícios psicofísicos que ativam a inteligência, o afeto e a sensibilidade das pessoas. Por exemplo: olhar nos olhos uns dos outros durante um período de tempo. Sem falarem. Este exercício começa por durar três segundos, depois sobe para cinco, dez, até chegar a um minuto e meio. Todos os formandos acham este tempo uma eternidade! Mas o objetivo aqui é aprenderem a ouvir o seu próprio silêncio e o silêncio dos outros. Porque quando se fica em silêncio, abre-se espaço para a inteligência emocional aparecer, para as sensações aparecerem. Como costumo dizer, a maneira como uma pessoa olha para nós calada é a maneira como fala connosco”, adianta.

Raul de Orofino acredita que nos dias de hoje as pessoas ouvem cada vez menos os outros. Não fazem de propósito, claro. Acredita que é um problema secular da civilização ocidental, que fala muito e ouve pouco. “Com as novas tecnologias, a vida virtual, este problema agravou-se. As pessoas deixaram de ter tanto contacto uns com os outros, deixaram de se relacionar. E isto não acontece só na vida pessoal. Muitos administradores de empresas procuram este workshop de inteligência emocional para os colaboradores aprenderem a falar com outras pessoas – colegas, chefes ou clientes, tendo como objetivo promover relações mais saudáveis”. Desde 2010, altura em que começou a dar formações com esta metodologia inovadora que recorre a exercícios psicofísicos, Raul de Orofino já trabalhou com o Grupo PSA, Makro, Caixa Geral de Depósitos, Pfizer, Sumol+Compal, entre outras empresas. A maior parte, cerca de 70%, procuram esta formação para educar emocionalmente a sua equipa de vendedores. Ou para educar os próprios diretores comerciais. “Nem todos os diretores sabem falar com as suas equipas. Começam a falar, já a gritar, exigindo mil e uma coisas. E o que acontece, é que as pessoas ficam com medo de falar. O medo é a anti-confiança. Já dei este workshop a empresas de telecomunicações, por exemplo, que viram a sua faturação aumentar porque os diretores aprenderam a injetar confiança nos seus comerciais, que ficaram com mais entusiasmo para superar limites”, adianta. “Aos comerciais que participam nos workshops ensino-lhes também que nem tudo está ganho. Muitas vezes o comercial acha que um cliente está garantido, e é precisamente nesse momento que deita tudo a perder. Porque não está atento ao momento presente. Não ouve com atenção, não olha nos olhos do cliente. Existem algumas leis da vida que são muito claras, e as quais faço questão de as dizer no workshop: a mudança acontece a toda a hora, ou seja, o cliente pode mudar de opinião de um momento para o outro; e toda a comunicação reside no olhar”.

“Muitos administradores de empresas procuram este workshop de inteligência emocional para os colaboradores aprenderem a falar com outras pessoas – colegas, chefes ou clientes, tendo como objetivo promover relações mais saudáveis”

O formador garante resultados imediatos após o workshop. “Em duas horas, os participantes conseguem perceber que estão a ouvir os outros de outra forma, com mais atenção. Além disso, depois, ficam mais assertivos, mais rápidos, mais produtivos. Mais intuitivos. Com mais garra de viver e de trabalhar. Vão conseguir estabelecer contactos mais saudáveis com as pessoas, melhorando as relações com colegas e chefe, por exemplo. Vão ter um conhecimento emocional de que podem ser melhores. É essa a grande vantagem, perceber que podem melhorar sempre”, revela Raul de Orofino.

A duração dos workshops de inteligência emocional varia consoante a necessidade das empresas, mas normalmente duram dois dias (mais ou menos 14 horas), adianta o formador. O número de participantes está limitado a 18 pessoas.