Há um desafio que os líderes vivem todos os dias, mas do qual não se fala. Não se fala desse desafio porque as páginas dos livros sobre liderança têm que ser cor-de-rosa, senão o livro não vende. O trabalho dos líderes tem que ser apresentado como um trabalho que contribui para o Bem — que melhora os resultados das empresas e faz progredir a sociedade. É verdade. Parte é assim. Mas também há a outra parte. A parte que não vem nos manuais de gestão. A parte que nós achamos que só nos acontece a nós porque estamos na empresa errada. Antes fosse. Mas não é.
Os líderes enfrentam todos os dias um desafio oculto da liderança — o desafio de gerir a imagem que apresentam a quem manda neles e ter que aturar as tentativas dos colaboradores de fazer o mesmo. De mostrar que são fantásticos e imprescindíveis para a empresa.
A culpa é da forma como as pessoas são promovidas. A história que contam os livros de gestão, os tais das páginas cor-de-rosa, é que as pessoas são escolhidas pelo mérito, pelos resultados. Nestes livros as empresas promovem gestores como o Sr. Tomé, que vive na minha rua, escolheu a máquina de lavar. Foi à loja de eletrodomésticos lá do bairro, pediu os folhetos todos, leu-os com muito, mas muito cuidado. E depois escolheu a máquina de lavar que gastava menos energia, mas que era suficientemente grande para o Sr. Tomé só ter que por a roupa a lavar duas vezes por semana.
Até pode haver empresas onde se recolhe toda a informação que há sobre as pessoas e se analisa tudo muito bem analisadinho no Excel, mas não é isso que diz a pilha crescente de artigos e livros sobre a carreira dos gestores. O que diz é que promover alguém é mais parecido com escolher um namorado ou uma namorada, do que escolher uma máquina de lavar. Depende do que as pessoas são e não dos resultados que conseguem. Até porque quando se está dois ou três níveis acima dos colaboradores, o controlo sobre os resultados da empresa pode ser pouco mais do que uma ilusão confortável.
Por isso, os gestores (e todas as pessoas nas empresas) passam todos os dias a fazer dois trabalhos muito diferentes. Há o trabalho que fazem para atingir os objetivos da empresa. Mas também há o trabalho que têm que fazer para impressionar os chefes. Um estudo realizado pela Universidade Europeia mostra que impressionar quem manda, não se faz através de elogios e exageros em conversas de corredores. Faz-se apresentando resultados e sucessos nos sistemas de informação das empresas que têm o efeito daquelas cintas que se usam por baixo da roupa para fazer as pessoas parecerem mais magras, embelezando sem mentir. O mesmo estudo mostra ainda que os processos de gestão de imagem podem sobrepor-se aos processos de liderança e de trabalho que garantem que a empresa atinge os seus objetivos. Mostra que os líderes podem ter sucesso se decidirem só fazer este trabalho oculto da gestão de imagem, preocupando-se tanto com parecer bons, que se esquecem de ser bons.