Dizem que rir é o melhor remédio. Que traz benefícios a nível físico, mental e social. E, ao que parece, é também a receita para ser bem-sucedido na carreira profissional. Pelo menos é esta a conclusão do estudo da empresa de recrutamento Robert Half International, divulgado no ano passado, que descobriu que 91% dos executivos acreditam que o humor é importante para a progressão da carreira e que pessoas com um bom senso de humor fazem um trabalho melhor (84%). Se correspondem à realidade ou não, estes factos, a verdade é que muitos empresários já utilizam o humor como ferramenta no trabalho. Até os presidentes norte-americanos o usam nos seus discursos. Barack Obama é um bom exemplo. Durante os oito anos que esteve na Casa Branca, era conhecido como uma personagem descontraída e com um apurado sentido de humor. Era hábito dizer piadas nos seus discursos e até chegou a participar em programas de comediantes norte-americanos, como o “Comedians in Cars Getting Coffee” de Jerry Seinfeld. Por cá, é diferente. Não há muitos empresários portugueses a usar o humor em cenários mais profissionais. “Para muitas pessoas a palavra humor ainda é um sinónimo de desordem, desorganização. Mas não é verdade. O humor pode ser uma boa ferramenta de trabalho para qualquer gestor”, defende Paulo Oliveira, consultor e formador na Bang Produções, empresa que criou em 2009 e que organiza espetáculos, workshops e teambuildings com base no humor.

Mas quais as vantagens de usar o humor no mundo dos negócios? “A vantagem é só uma e posso resumir numa frase: humor é poder. Ou seja, quem consegue provocar o riso nos outros, provoca uma sensação de bem-estar. E quando nos rimos sentimo-nos bem, sentimo-nos integrados. Mais confortáveis. Quando utilizamos o humor eficazmente mostramos o nosso lado mais humano, e as outras pessoas identificam-se connosco e gostam mais de nós. E se assim é, podemos obter mais facilmente o que queremos. O que, do ponto de vista negocial, é sempre uma vantagem”, adianta.
Comediante há mais de uma década, Paulo Oliveira iniciou a formação em humor para empresas em 2012. E de lá para cá já deu formações para empresas como Prosegur, NOS, Linde, Remax, Oracle e Microsoft. O seu objetivo é mostrar aos empresários que existe uma ligação direta entre o humor no trabalho com a comunicação, a produtividade, a relação com clientes e outros tantos fatores que podem determinar o sucesso no mundo dos negócios. Atualmente a Bang Produções tem disponível dois workshops: Humor na Comunicação e Humor nas Vendas (neste último, os conteúdos são adaptados a quem tem um trabalho mais comercial e que lida diretamente com clientes). “Em todas as minhas formações corporativas – que são sempre personalizadas e adaptadas ao contexto da empresa – apresento as vantagens e as ferramentas de humor para apresentações públicas, reuniões e gestão de equipas. Dou ainda exemplos reais e possíveis soluções para determinadas situações, formas de criar empatia no cliente, por exemplo. A ideia é passar ensinamentos práticos e concretos para as pessoas potenciarem o uso do humor na vida e no trabalho”. E não é difícil aprender, garante o CEO da Bang Produções. “Não é preciso provocar gargalhadas, para ser considerado humor, basta conseguir um sorriso. É o suficiente para que quimicamente o cérebro do próximo conspire a nosso favor. Por exemplo, um sorriso pode conseguir amenizar e suavizar situações tensas, de mudança e de crise. Em 90% das situações, o humor pode ser muito útil”. Paulo Oliveira dá um simples exemplo: no início de uma reunião um gestor pode fazer uso do humor para criar um clima mais descontraído, mais leve.

“O humor pode ser uma boa ferramenta de trabalho para qualquer gestor”
Paulo Oliveira, formador em humor na Bang Produções

A pergunta que faltava: mas se eu tiver um sentido de humor diferente dos meus colaboradores ou clientes, não será um risco? “Observe primeiro e tente perceber qual o tipo de humor que os outros têm. Depois experimente, tente. Porque só se aprende fazendo. Com a experiência conseguimos de alguma forma padronizar o humor e perceber quando é que falha. Se as pessoas riem das mesmas coisas ou não. Pode até acontecer, por exemplo, um diretor que pretenda gerir melhor a sua equipa ter que adaptar as suas palavras e o seu humor a algo com que os colaboradores se identifiquem. É assim que funciona. E não há mal nenhum nisso, uma vez que pode ter repercussões positivas e trazer resultados”, justifica.