A retenção e a atração de talento, os principais desafios das empresas de hoje, podem ser conseguidas criando uma experiência de trabalho altamente recompensadora, desenhada especificamente para os colaboradores da empresa e para os profissionais que queremos ter. E o que valorizam estes profissionais? A Employer Brand Research da Randstad mostra que o segundo aspeto mais importante na escolha do empregador é o work life balance. Grande parte dos colaboradores valoriza muito a possibilidade de trabalhar fora do escritório, pelo menos em parte do tempo. E para os candidatos millennials a opção home office pode influenciar muito o seu interesse em trabalhar para uma empresa.

O remote work parece ser uma das soluções mais interessantes e fáceis de implementar, uma vez que estão reunidas as condições para tal – informação, tecnologia, comércio e serviços online, big data. A verdade é que em Portugal, embora em grande crescimento, ainda é reduzido o número de colaboradores com flexibilidade para trabalhar onde e quando querem. De acordo com as conclusões do EuroFound, em 2015, apenas 1,8% dos trabalhadores diziam estar envolvidos numa prestação regular em teletrabalho. Continua a ser um conceito pouco implementado e pouco aceite no nosso País, principalmente em contextos com métodos de gestão tradicionais e onde o controlo direto é considerado imprescindível. Um estudo da Microsoft Portugal, elaborado em 2012, mostrou que apenas 45% dos empregadores confiam na produtividade fora do escritório.

As vantagens são muitas. O colaborador pode gerir melhor o seu tempo e o seu ritmo de trabalho. Segundo um estudo internacional da Regus, realizado em 2015, 71% dos inquiridos acredita que os trabalhadores neste regime são mais produtivos. Não tendo a pressão de estar num escritório, em determinado horário, pode conciliar de forma mais simples a vida profissional com a vida familiar ou com outras atividades. Pode poupar dinheiro de deslocações e refeições, embora tenha outros custos. A empresa também beneficia se esta “ausência” representar uma diminuição de custos e maior motivação do colaborador. A principal vantagem para a empresa é sem dúvida poder ter o talento que deseja: quer porque este modelo de trabalho é determinante para atrair candidatos, quer porque esse talento pode ser um digital nomad a viver em Bali.

As principais desvantagens, para a empresa e para o colaborador, prendem-se com o impacto na relação com a equipa e com a perda de alguma informação importante. O profissional corre ainda o risco de isolamento, como reportaram 40% dos participantes do estudo da Regus. As desvantagens podem ser mitigadas com modelos de trabalho “mistos” e flexíveis, nos quais se garanta a presença na organização e com a equipa em momentos específicos.

Em alguns negócios este modelo não faz sentido e, naturalmente, nem todas as funções são remote friendly. Um cirurgião não pode trabalhar à distância, nem um operário fabril, nem um vigilante. Um designer, um consultor, um programador, um jornalista, podem. Um recruiter? Sim e não. Pode, efetivamente, realizar à distância parte das suas atividades, mas o insight que lhe permite escolher o candidato certo para a posição certa, só é conseguido com a presença física em entrevista.

No futuro as organizações vão precisar cada vez mais do seu talento (que ainda será humano!) e essas organizações, que serão cada vez mais ágeis, flexíveis e globais, vão encontrar novas formas de se relacionar com o seu talent ecosystem, que talvez ainda não tenham sido criadas. Para já, a solução pode estar em criar os modelos de trabalho flexíveis, criativos e inovadores, vantajosos para a empresa e para o talento que tem e que quer atrair… anytime, anywhere.