O problema.
A ideia do Lyme surgiu a partir de um problema que António Machado teve na sua empresa de construção há quatro anos. O empresário tinha um trabalho no Gana e precisava de enviar informações importantes – entre fornecedor e cliente – de forma registada. Mas lá, não era possível. “Em Portugal, bastava chegar aos correios e enviava uma carta registada com aviso de receção. Lá não, isso não existe. A hipótese seria fazer o envio em mão, mas o nosso cliente estava a 350 km de distância. E o sítio onde estávamos a trabalhar, tendo em conta as condições da estrada, seria uma viagem de dois dias, ida e volta”, relembra. A única solução à vista de António Machado seria enviar um email. Mas, e segundo o empreendedor, o problema podia manter-se. Afinal, “os emails mandam-se, mas não se registam”. No entanto, o empreendedor percebeu que o email podia ser uma boa ferramenta para resolver problemas idênticos ao que viveu e começou a trabalhar, no início de 2016, numa plataforma que permitisse o registo de entrega formal de um email.

A ideia.
Durante uns bons meses, António Machado trabalhou num protótipo, e no final de 2017, durante o Web Summit em Lisboa, apresentou o seu produto final: o Lyme, um novo serviço de correio registado. “O Lyme apresenta-se como o substituto digital do correio registado postal. Nós transformamos um email normal numa notificação formal com validade legal”. Como funciona? Quando enviamos um email registado através do Lyme, o destinatário recebe um email de notificação onde lhe é transmitido que alguém lhe pretende fazer chegar uma mensagem registada. Depois, seguindo o link nesse email e utilizando um pin, o destinatário consegue aceder a um painel de ações onde poderá aceitar ou rejeitar a mensagem registada. Caso aceite, o Lyme envia de imediato um registo completo do percurso da mensagem. Se a pessoa rejeitar, o emissor também vai receber uma notificação. Um detalhe importante: o Lyme tem uma grande preocupação com a proteção dos dados pessoais e as mensagens transmitidas pelos seus utilizadores e por isso é totalmente encriptado. O registo na plataforma é gratuito e o Lyme oferece 15 envios por ano a todos os utilizadores. Depois, há subscrições anuais que variam entre os 60 a 240 euros.

O resultado.
A ideia de António Machado oferece uma série de mais-valias que o sistema de correio postal tradicional não apresenta. Segundo o empresário: o Lyme é um processo mais rápido, é legal, é tudo feito de forma digital e o envio pode ser feito a partir de qualquer plataforma de email. “A nível de logística do registo é uma redução de 98%. E a nível de custo, falando apenas no nosso País, somos 93% mais baratos. Empresas em Portugal que mandem mais de mil cartas por mês têm poupanças na ordem dos 32 mil euros por ano”, garante. O selo de envio de um email registado, denominado de Lymestamp, custa cerca de 25 cêntimos. Estes números que o empreendedor apresenta têm atraído várias empresas. “Desde o final do ano passado, temos como clientes 16 câmaras municipais em fase protocolar no uso do Lyme, três instituições financeiras, duas instituições de crédito ao consumo, um tribunal arbitral e o Boavista Futebol Clube. Além disso, temos quase dois mil utilizadores particulares”, revela.
O Lyme ainda está no seu primeiro ano de vida, mas António Machado está confiante no futuro. “O número de emails profissionais trocados é de 70 mil milhões. Deste número, acredito que há uma boa fatia que devem ter todo o interesse em ser registados”.