Que tipo de equipamentos médicos a Dräger dispõe no seu portfólio? Pode dar alguns exemplos?
A Dräger dedica-se à comercialização de soluções integradas para áreas críticas hospitalares, nomeadamente para Bloco Operatório, Unidades de Cuidados Intensivos (adulto, pediátrico e neonatal), Cuidados Intermédios e Urgência. Entendemos soluções integradas como a conjugação e comunicação entre os distintos equipamentos e os sistemas de informação, permitindo a captação de informação por parte dos equipamentos (ventiladores, estações de anestesia, monitores de sinais vitais, incubadoras, entre outros) que estão em contacto com o doente crítico, convertendo esta informação em conhecimento que permita aos prestadores de cuidados tomar decisões conducentes à melhoria das condições dos doentes.
Como exemplos de equipamentos, temos desde equipamentos estruturais para unidades críticas como pendentes de gases, calhas técnicas, lâmpadas de bloco operatório, ventiladores mecânicos de transporte e cuidados intensivos, estações de anestesia inalatória, monitores de sinais vitais multiparâmetros, ventiladores neonatais, incubadoras, mesas de reanimação neonatal, berços térmicos, sistemas informáticos departamentais, entre outros. Em suma, sempre que o doente tem que estar “ligado às máquinas”, essas máquinas poderão ser Dräger.

Qual o equipamento médico mais inovador da empresa e porquê?
A Dräger dispõe no seu portfólio de vários equipamentos médicos inovadores, uma vez que aposta significativamente em inovação e lança todos os anos novos produtos no mercado. O mais recente lançamento, que corresponde a um dispositivo verdadeiramente inovador, é a nova Incuwarmer Babyleo TN500. Trata-se de uma incubadora de cuidados intensivos neonatais, destinada à terapia de calor para grandes prematuros. Este conceito de Incuwarmer está relacionado com o facto de ser um equipamento que segue as orientações NIDCAP (Newborn Individualized Developmental Care and Assesment Program), permitindo reproduzir as condições do útero materno a bebés com grande prematuridade. Não só controla a temperatura, humidade e oxigénio no seu interior, como permite o controlo da luminosidade e ruído a que o bebé está sujeito. Permite ainda a abertura a conversão em incubadora aberta para que os prestadores de cuidados possam manusear o bebé, mantendo o calor radiante. O objetivo é permitir ao bebé terminar o seu desenvolvimento e ganhar peso com condições ainda mais próximas das que tinha no interior do útero materno. Portugal tem dados muito bons no que se refere ao tratamento de grandes prematuros, com taxas de mortalidade verdadeiramente baixas – um motivo de orgulho para todos nós – e este equipamento procura ser uma ajuda para melhorarmos ainda mais.

Incubadora IncuWarmer Babyleo TN500, destinada à terapia de calor para grandes prematuros. © Drägerwerk AG & Co. KGaA

Está previsto o lançamento de novos produtos este ano?
O lançamento de novos e inovadores produtos é uma constante na nossa empresa, faz parte do nosso ADN. Este ano já lançámos uma linha renovada de detetores de gases, os Dräger PAC e um novo detetor multigás, o X-am 8000. Na área médica lançámos recentemente um novo ventilador de transporte, o Oxylog VE300 e um novo sistema de fototerapia para neonatos, o BiliLux. Há outros produtos verdadeiramente interessantes em pipeline, mas ainda é prematuro revelar quais.

O vosso lema é “tecnologia para a vida”. O que significa?
Tecnologia para a vida, do nosso ponto de vista, significa que colocamos o nosso esforço quotidiano e o nosso conhecimento ao serviço da vida. A Dräger têm duas áreas de negócio – a tecnologia médica e a tecnologia de segurança. Em ambas os nossos produtos e serviços visam ajudar a salvar vidas, a melhorar as condições de vida. Desde logo nos cuidados críticos hospitalares, em que os pacientes estão frequentemente dependentes do ventilador mecânico para respirar, para viver. Também na área da segurança onde, a título de exemplo, os sistemas de respiração autónoma permitem aos bombeiros entrar em ambientes de ausência de oxigénio para salvar acidentados. Acreditamos que o nosso esforço ajuda a proteger a vida e a saúde, o nosso bem mais precioso.

Na sua opinião, qual a tecnologia mais inovadora que pode ser aplicada no futuro na área médica?
Eu diria que não há uma “tecnologia mais inovadora” na área médica, mas um conjunto de tecnologias verdadeiramente inovadoras que nos permitirão continuar a tendência para a longevidade cada vez com maior qualidade de vida. Acredito que o desafio está justamente aí, vivermos mais tempo com maior qualidade de vida.
Há várias tecnologias que têm evoluído muito significativamente, sendo colocadas ao serviço dos cidadãos. São exemplo os meios complementares de diagnóstico e terapêutica. A imagiologia médica tem (e acredito que continue a ter) um desenvolvimento significativo na deteção cada vez mais precoce de complicações. Os sistemas de informação integrados permitirão cada vez mais a tomada de decisões tendo em conta o histórico do doente e reduzir o erro médico. Acredito que a impressão 3D, por exemplo, irá ser disruptiva no que respeita às próteses, permitindo uma adequação individualizada ao indivíduo que necessita de uma prótese. Falo de todos os tipos de próteses, da dental à ortopédica, estando por ver que papel pode desempenhar esta tecnologia na cardiologia e na “fabricação” de órgãos, podendo ser uma alternativa ao transplante. Nesta área, tenho muita esperança também na investigação que está a ser feita ao nível da utilização de células estaminais, não só no seu papel na redução da rejeição de transplantes mas também no combate a doenças degenerativas do sistema nervoso central.
Os sistemas de informação, nomeadamente a IoT – Internet das Coisas e Big Data, deverão desempenhar, seguramente, um papel relevante neste maravilhoso novo mundo e também na área médica.

“O lançamento de novos e inovadores produtos é uma constante na nossa empresa, faz parte do nosso ADN”

Como é o mercado português, os hospitais e clínicas portuguesas investem em inovação para melhorar o futuro da saúde das pessoas?
Tivemos um período recente de significativa diminuição do volume de investimentos no setor da saúde hospitalar, coincidente com o período de crise que o nosso País viveu e que obrigou a “apertar o cinto” também ao nível do investimento dos hospitais em inovação. Este período, que foi mais notório após o investimento feito pela PPP – Parcerias Público Privadas na Saúde, foi marcado pela utilização dos meios tecnológicos anteriormente adquiridos e por um reduzido investimento em tecnologia médica. O mercado português sempre foi caracterizado por uma elevada qualidade dos meios humanos na saúde e por uma efetiva utilização dos meios tecnológicos disponíveis, integrando a inovação nos cuidados de saúde. Esta realidade voltou a ser sentida, de alguma forma, a partir do ano passado, muito devido ao cofinanciamento por parte de projetos do pacote de investimentos Portugal 20/20. Por outro lado, nota-se uma recuperação da confiança da iniciativa privada para investir. Prova disso é que existem planos para novos hospitais e para ampliação ou modernização de infraestruturas existentes.
O período de crise também motivou a indústria para alterar os seus modelos de negócio e procurar adicionar valor ao cliente através de modelos de financiamento mais flexíveis, procurando facilitar o investimento em inovação. Modelos de financiamento como o renting de equipamentos médicos são disso exemplo. É reconhecido que a melhoria da saúde da população requer investimento, mas também é reconhecido que a alocação dos meios disponíveis deve ser feita com um racional de sustentabilidade. Do meu ponto de vista, esta é a realidade nos hospitais e clínicas portuguesas.

“(…) a inovação é particularmente importante na obtenção de um diagnóstico mais rápido e preciso, na decisão sobre a terapêutica recomendada, reduzindo complicações associadas ao tratamento e tempos de estadia no hospital e de recuperação do doente. Reduz frequentemente o custo global do tratamento, não só para o doente mas também para o hospital”

Qual a importância da inovação e renovação dos equipamentos tecnológicos para as unidades hospitalares e clínicas prestarem um melhor serviço aos utentes?
A evolução na tecnologia médica visa, frequentemente, adicionar novas características e novas funcionalidades aos equipamentos. Tem por base a investigação médica, o feedback dos prestadores de cuidados e os artigos clínicos que são publicados, no sentido de tornar a prática clínica mais adequada ao fim a que se destina – o melhor cuidado do doente. São incorporados avanços técnicos que visam uma menor invasividade, a redução de complicações associadas, redução da probabilidade de infeções, diminuição do consumo de fármacos e/ou diminuindo a estadia no hospital. Pode-se referir que a inovação é particularmente importante na obtenção de um diagnóstico mais rápido e preciso, na decisão sobre a terapêutica recomendada, reduzindo complicações associadas ao tratamento e tempos de estadia no hospital e de recuperação do doente. Reduz frequentemente o custo global do tratamento, não só para o doente mas também para o hospital.

Como é a relação entre a Dräger e a GRENKE?
Desde que começamos a trabalhar com a GRENKE, passámos a ter mais uma opção para apresentar aos nossos clientes no que respeita ao financiamento dos seus investimentos em equipamentos médicos. A relação com a GRENKE é uma relação de parceria, efetuamos conjuntamente a análise da oportunidade e das condições que podemos apresentar ao nosso cliente. Os tempos de resposta por parte da GRENKE são bastante curtos, o que nos permite ser também bastante ágeis junto do nosso cliente, incorporando as suas particularidades à solução apresentada. Passámos de uma relação transacional para uma relação de parceria, o que torna o nosso trabalho conjunto mais efetivo.