De que forma aquilo que comemos pode interferir na nossa performance profissional? Podemos aumentar o nosso rendimento e produtividade através de uma alimentação mais equilibrada? Não existem grandes truques. Um estilo de vida equilibrado onde a alimentação, mas também a prática de exercício e o descanso são essenciais, é meio caminho andado para uma performance laboral otimizada. Todos nós conhecemos casos de pessoas com elevado volume de trabalho e stress que se mantêm “à tona” devido ao rigor e disciplina com que encaram cada momento de treino, cada refeição e cada hora de sono. Um estudo publicado em 2013 dá conta disso mesmo: trabalhadores com melhores hábitos alimentares tinham uma melhor performance laboral; trabalhadores que treinavam 30 minutos ou mais pelo menos três vezes por semana tinham um absentismo laboral 27% inferior; trabalhadores com obesidade tinham maior absentismo e menor produtividade que os restantes.

Quais são então os alimentos que nos podem ajudar a melhorar o nosso rendimento intelectual? Sendo certo que grande parte dos estudos que associa o consumo de determinados alimentos e nutrientes à função cerebral, o faz sempre numa perspetiva de prevenção do declínio cognitivo quer em idosos quer em indivíduos com doença de Alzheimer, aqui ficam aqueles que devem constar diariamente na nossa dieta:

Ómega 3: presentes no peixe gordo (sardinha, salmão, cavala, truta). Apesar de estarem também presentes nas nozes, sementes chia e linhaça, estes alimentos não possuem EPA e DHA, os dois ómega 3 com maior efeito. Na época de inverno e em baixos consumidores de peixe, pode ser necessária a suplementação em ómega 3.
Vitamina D: também só disponível no peixe gordo, a vitamina D tem a vantagem de nos chegar através da exposição solar. Tal como os ómega 3, a suplementação em vitamina D nos meses de inverno pode ser necessária.
Colina: existe uma associação positiva entre a ingestão de colina e performance cognitiva. Infelizmente as fontes alimentares não são muitas, mas podemos encontrá-la nos ovos (principalmente a gema), órgãos (fígado e rins), frango e bacalhau.
Vitamina C e E: são as vitaminas com maior capacidade antioxidante mas nem por isso devem ser suplementadas. Frutos vermelhos, kiwi, laranja, pimento, couve galega, batata doce e também nozes, amêndoas, castanha do pará e abacate são excelentes alimentos que devem estar nas nossas mesas diariamente.

Como operacionalizar esta informação e tornar o nosso quotidiano mais equilibrado nutricionalmente? Aqui ficam algumas regras de ouro:
1. Programe tudo na véspera de sair de casa. Merendas como fruta, iogurtes magros sem açúcar, frutos gordos (nozes, amêndoas, avelãs, castanha do pará) e sandes em pão escuro com bons recheios (ovos, atum, salmão fumado, queijo magro, fiambre de peru) são excelentes opções.
2. Evite ficar refém das opções existentes nas máquinas de vending e bares. Raramente se encontram alimentos equilibrados nestes locais.
3. Traga o almoço de casa, ou se tiver de comer fora, evite o pão e as entradas pedindo um prato de sopa por antecipação. Quanto ao prato, não necessita de cortar os hidratos de carbono a direito, mas tente que ocupem a mesma porção no prato que a carne/peixe/ovos e os legumes/salada.