Bons Negócios

Um mapa interativo da cidade de Almada

Bastidores  |   14 Mar 2016

Contar a história de uma cidade não é fácil. Há sempre muito para dizer. Mas os "engenheiros-artistas" André Almeida e Guilherme Martins conseguiram. Os fundadores da Artica, uma empresa de computação criativa com sede no Madan Parque, foram desafiados pela Câmara Municipal de Almada para criarem um museu diferente e apelativo que revelasse todo o passado da cidade. "A Câmara tinha imensos conteúdos sobre Almada, em texto, vídeo e imagens, e não sabia ao certo o que fazer, como mostrar isso à comunidade. E foram ter connosco para resolver esse ‘problema', para criar o Centro de Interpretação de Almada Velha (CIAV)", adianta Guilherme Martins. O objetivo? Valorizar a memória e a identidade de uma zona que tem tanta história que muita gente desconhece. "Almada não é uma cidade metropolitana sem qualquer tipo de história", defende André Almeida.
A solução encontrada, pensada em equipa com o estúdio de arquitetos RPAR, foi criar um mapa da cidade de Almada, interativo, que permitisse às pessoas verem quais as ruas emblemáticas, os edifícios históricos, os momentos mais marcantes, as personalidades da terra. O mapa é projetado numa mesa gigante instalada no espaço principal do Centro e em cada canto está um tablet que permite a sua navegação. Cada aparelho tem uma cor diferente para que o utilizador saiba o que está a explorar. Por exemplo, quando seleciona uma rua, essa mesma rua aparece da cor do tablet que está a utilizar. "A navegação no mapa é feita através de tablets onde é possível conhecer a história de Almada através de seis itinerários, desde Cacilhas até à zona do Ginjal, Cristo Rei e Almada Nova. Esse é o ponto de partida, que depois se vai ramificando para edifícios, ruas, personalidades, eventos históricos e religiosos", adianta Guilherme Martins. É também possível "saltar" estes itinerários e fazer uma pesquisa temática. Podemos pesquisar, por exemplo, por arquitetura e arqueologia, arte pública, património, associativismo e cidadania, entre outras áreas. A ideia aqui, e da Câmara, "é despertar o interesse das pessoas pela cidade e que saiam do museu para explorar Almada". E por isso, André Almeida e Guilherme Martins, acreditam que o uso de tecnologia foi a melhor opção para tornar o museu atrativo para quem o visita, principalmente os jovens. "Ninguém vai a um museu para ler texto infinitamente. As pessoas cansam-se. Teria de haver um elemento que desse uma mais-valia a todos os conteúdos e, como tal, optámos por entrar aqui num universo meio digital meio físico que captasse a atenção das pessoas", defende Guilherme Martins.
Na sala principal do CIAV existe ainda um ecrã que passa vídeos de testemunhos de gente da cidade e três vitrines com objetos de outros tempos, numa evocação simbólica das atividades comerciais. E aqui, nestes elementos expositivos, também existe alguma interação. Aliás na sala toda, como explica André Almeida. "As luzes nas vitrines, quando nos aproximamos, acendem com uma cor diferente. As cores das luzes debaixo da mesa também vão alterando. Uma câmara de infravermelhos, no topo de uma das paredes da sala, deteta a presença de pessoas e automaticamente liga os tablets numa espécie de convite à sua utilização. Todo o espaço respira cor e movimento, criando uma harmonia, para tentar motivar o visitante a viver o ambiente e a ver os vários elementos no museu".
O Centro de Interpretação de Almada Velha está aberto de terça-feira a sábado. Além do mapa interativo, que pode ser visitado por qualquer pessoa de forma gratuita, o Centro acolhe workshops, atividades de serviços educativos, ações para famílias. Um detalhe curioso: as pessoas que vêm visitar o espaço oferecem-se para contribuir com mais informação, mais fotografias, mais um elemento ou outro que a Câmara não tenha registado. Mais histórias da cidade. De Almada. 

 

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