Bons Negócios

Teia leva o seu negócio além-fronteiras

Novos Negócios  |   09 Jun 2016

Os portugueses são conhecidos por serem um povo emigrante. Em 2010, segundo o Banco Mundial, 2,3 milhões de emigrantes em todo o mundo eram portugueses. E o número aumentou em 2011. Nesse ano, saíram do País mais de 80 mil portugueses à procura de novas oportunidades. Tomás Palmares foi um deles. O jovem arquiteto, mal acabou o curso, foi trabalhar para um atelier de arquitetura no Chile, a Elemental. E lá ficou três anos. Durante a sua estadia, aconteceu-lhe algo curioso: algumas empresas portuguesas pediam-lhe ajuda para encontrar clientes em território chileno. "Uma vez, por exemplo, uma agência imobiliária entrou em contacto comigo porque procurava investidores no estrangeiro para comprar imóveis em Portugal. Como sabiam que eu era arquiteto e trabalhava lá, perguntaram se eu conhecia alguém, se conseguia algum potencial cliente. Nessa altura dei-lhes o contacto de um amigo que trabalhava numa imobiliária no Chile. Um português, também". Esta situação era algo recorrente. E Tomás Palmares sabia que não lhe acontecia só a ele, mas a tantos outros emigrantes portugueses. Por isso, o arquiteto ficou com a ideia na cabeça de criar algo que "resolvesse" este tipo de situações.
Já em Portugal - voltou em junho de 2014 - falou com Tiago Pais e Inês Rola, dois portugueses que conheceu no Chile, para juntos criarem o "tal" projeto ligado à emigração. "Falei com o Tiago, efetuamos uma série de brainstormings, e percebemos que todos nós tínhamos tido experiências do género: uma empresa portuguesa precisava de alguma coisa e pedia-nos ajuda. Começámos a pensar que estávamos limitados aos nossos contactos pessoais e achámos que se calhar era interessante ter uma espécie de diretório onde se pudesse encontrar todos os portugueses que estavam a trabalhar fora e todas as empresas que estavam interessadas em exportar", adianta o responsável. Trabalharam na ideia durante algum tempo e no início de 2015 inscreveram-se no programa Faz - Ideias de Origem Portuguesa, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian na área do empreendedorismo social, com o projeto TEIA - um marketplace online que tem como objetivo juntar empreendedores portugueses que pretendam internacionalizar os seus negócios e emigrantes portugueses estabelecidos profissionalmente no estrangeiro. Ficaram em segundo lugar e o apoio que receberam deu para desenvolver e afinar a ideia. Qual o sentido que a TEIA devia ter, o que realmente queriam fazer. "No início tínhamos uma ideia um pouco genérica, mais parecida com uma rede social, mas com o tempo chegámos à conclusão que queríamos que fosse algo mais orientado para a ação. Uma rede social é mais para contactos e queríamos algo que levasse a resultados práticos", conta Tomás Palmares. Assim, a TEIA funciona hoje como marketplace online onde há pessoas que oferecem serviços e outras que procuram esses serviços. "A ideia é basicamente uma plataforma para intermediar os serviços prestados pelos portugueses lá fora a empresas que querem internacionalizar".
O website www.teia.org.pt , em fase de lançamento, funciona de forma muito simples segundo o empreendedor português. As pessoas que criarem uma conta podem ver que emigrantes estão na rede e que empresas estão à procura de qualquer serviço, na secção de propostas. "As empresas vão poder fazer propostas, dizendo o que precisam, onde precisam e qual a disponibilidade financeira para pagar os serviços. E depois os emigrantes podem candidatar-se ao trabalho da empresa". Quais as grandes vantagens da TEIA? A plataforma permite aos emigrantes manterem-se ligados ao tecido empresarial português, apesar de estarem longe do País. E permite às pequenas empresas que não têm muitos recursos, financeiros nem humanos, encontrarem um potencial parceiro que os pode ajudar a levar o seu negócio além-fronteiras de uma forma muito económica. "Gostamos de pensar que estamos a oferecer um canal barato e fácil para uma empresa pequena ou micro empresa explorar a possibilidade de exportar", diz Tomás Palmares.
A TEIA tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Alto Comissariado para as Migrações.

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