Bons Negócios

Sobre o talento e onde o encontrar

Opinião  |   12 Jun 2017  |  Por: João Batista, Recruitment Marketer na Get The Job

"As pessoas são o elemento fundamental para o sucesso de qualquer organização". Quem nunca leu um texto que começasse desta forma? A ideia não é nova, mas a sua execução está longe de ser uma realidade. Até agora. A competição pelo talento está finalmente a tornar-se em algo mais do que uma buzzword utilizada sem critério e isso representa uma oportunidade incrível para o crescimento qualitativo das organizações. Estamos prestes a alcançar o momento de viragem em que a maioria dos agentes do mercado vão perceber que a diferenciação não pode ser alcançada exclusivamente através da tecnologia, pois quanto mais acessível e democratizada ela se torna, menos exclusiva e potenciadora de vantagem económica será. O talento humano é o próximo layer de especialização.
Felizmente, aquilo a que chamamos de talento é um recurso cada vez mais diversificado e abundante no mercado. A pool ideal de candidatos já não provém exclusivamente das universidades de topo. Temos comunidades de talento extremamente específicas que desenvolvem competências através de cursos online, de projetos próprios e de outras dinâmicas geralmente invisíveis aos recrutadores. Estamos a falar de uma realidade em que é muito mais provável alguém aprender uma língua estrangeira num jogo online do que num curso certificado, em que a mais recente linguagem de programação está a ser desenvolvida num grupo secreto de uma rede social e em que o state of the art do marketing é ensinado e discutido através de podcasts, artigos e vlogs.
A parte desafiante surge agora: já não é possível basear a estratégia de captação de talentos na lógica "post and pray", nas feiras de emprego ou nos anúncios de jornal/job boards. Os candidatos mais interessantes não estão à procura de emprego nem são sensíveis a ofertas standard que se afigurem como uma quebra ao percurso profissional de especialistas que estão a desenvolver. Um profissional de topo ou um candidato de excelência não perde o seu tempo a recolher flyers nas feiras de empregabilidade, provavelmente estará a organizar esse evento ou a colaborar de perto com a equipa que gere as operações. Enquanto as empresas ocupam o seu tempo com anúncios de emprego redigidos para um target genérico a começar com um desgastado "Prestigiada empresa do setor está a admitir para os seus quadros um especialista em...", os candidatos ideais estão a começar a sua startup, a gerir o núcleo de estudantes do seu curso ou a desenvolver projetos inovadores na cave de sua casa.
Quando percebermos isto, deixaremos de atuar como se ainda estivéssemos num ambiente linear, fechado e elitista, limitados a um target muito específico, e adotaremos uma postura de quem está a lutar pelo talento com as gigantes tecnológicas como a Google ou a Microsoft, mas também com as startups unicórnio, com o ímpeto empreendedor de começar o próprio negócio, e com uma ONG que está a lutar pelos direitos civis num qualquer país distante.

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