Bons Negócios

Reputação

Capa  |   07 Mar 2017

Já imaginou a possibilidade de receber um desconto na renda da sua casa com base na sua reputação? Charlie Brooker já. A situação não acontece no mundo real (ainda!), mas no primeiro episódio da terceira temporada da série que o escritor e produtor britânico criou, a Black Mirror, transmitida na Netflix. Em "Nosedive" - o título do episódio que estreou em outubro passado -, a personagem principal Lacie Pound vive numa sociedade em que cada interação offline e online é avaliada por todos através de uma aplicação. Uma conversa no café, no elevador. Uma conversa com uma amiga, com um colega de trabalho. Qualquer interação, por mais mínima que seja, é pontuada de imediato, de 1 a 5 estrelas. Lacie tem uma pontuação de 4.3 e esforça-se para aumentá-la a todo o custo. Porquê? Porque uma boa pontuação determina o seu valor na sociedade. Mais: permite-lhe o acesso a serviços e a um emprego melhor. E até a um desconto na renda da casa! Numa das cenas de "Nosedive", Lacie vai ver a sua casa de sonhos, mas o custo da renda é demasiado elevado. É informada pela agente imobiliária que existe um programa de desconto de 20% se a sua classificação for acima de 4.5. Decide, por isso, contratar os serviços da agência Reputelligent para a ajudar a aumentar o seu grau de influência e popularidade.
Todo este cenário é ficção. Só ficção. No entanto, sabemos que na nossa realidade já existem negócios com algumas semelhanças às cenas de Black Mirror. O Uber, por exemplo. Os utilizadores deste serviço de transporte urbano privado podem avaliar o motorista que os conduziu ao seu destino através de uma aplicação. Os passageiros também não escapam e são avaliados pelos condutores. Na Uber, as pontuações baixas podem significar duas coisas: para o passageiro, o motorista pode não aceitar o seu pedido de viagem; para o motorista, a Uber envia uma notificação à empresa proprietária do veículo a avisar da má avaliação. Mas há mais: recentemente, a empresa anunciou o UberStar, uma solução para os utilizadores mais frequentes que permite solicitar uma viagem com os motoristas mais pontuados e ainda receber ofertas exclusivas! Outro negócio que também utiliza o sistema de estrelas é o Airbnb. Os anfitriões que anunciam as suas casas particulares na plataforma podem receber o emblema de "superhost", se obtiverem comentários de 5 estrelas dos seus hóspedes, por exemplo. Mas, de todos os negócios que têm surgido nesta economia da reputação, a ideia mais curiosa - e inesperada, talvez - é a Social Lender (sociallenderng.com), uma tecnologia criada pela empresa nigeriana Bincom para bancos. Do que se trata? De uma aplicação que permite às pessoas pedirem empréstimos com base na sua reputação social em plataformas online. "A solução foi desenhada para preencher a lacuna de acesso imediato a fundos para pessoas com acesso limitado ao crédito formal", disse a cofundadora da aplicação, Faith Adesemowo, à BBC. O Social Lender é atualmente utilizado pelo Sterling Bank e permite empréstimos de pequenas quantias, entre 3 e 30 euros.

Leia na edição impressa, de março de 2017 da revista Bons Negócios, a reportagem completa sobre o tema.

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