Bons Negócios

OPERAÇÃO NARIZ VERMELHO

Bastidores  |   11 Dez 2015

Há momentos que mudam as nossas vidas. E a dos outros também. A Operação Nariz Vermelho surgiu assim, de um momento de inspiração que hoje muda a vida de muitas crianças nos hospitais portugueses. Beatriz Quintella, fundadora da instituição particular de solidariedade social, soube da existência dos Doutores Palhaços da Big Apple Circus, nos EUA, e inspirada pelo seu trabalho decidiu criar algo parecido em Portugal. A Operação Nariz Vermelho nascia em 2002. Começou com dois artistas-palhaços no Hospital D. Estefânia, Santa Maria e Instituto Português de Oncologia, hoje a instituição está presente em 13 hospitais onde promove todas as semanas visitas dos Doutores Palhaços às enfermarias pediátricas. O objetivo? "Transformar momentos. Transformar um momento da vida de uma criança. Não temos a propensão de curar mas está comprovado o benefício do riso. Queremos trazê-las de volta a casa, que por um momento esqueçam onde estão, as suas limitações, e que sejam apenas crianças", conta-nos Magda Ferro, responsável pela Coordenação de Comunicação e Eventos da instituição. Para isso, a Operação Nariz Vermelho conta com a colaboração de 22 artistas que visitam regularmente as crianças em hospitais de Lisboa, Porto, Coimbra e Braga. "A regularidade das visitas é muito importante para corresponder às expectativas de quem visitamos. Principalmente daquelas que estão internadas por períodos longos. Não podemos falhar. Por isso os nossos palhaços não são voluntários, são artistas profissionais, renumerados, que estão sempre disponíveis", adianta a responsável. Os Doutores Palhaços são artistas de base, mas têm uma formação técnica e contínua em procedimentos e rotinas relacionadas com o hospital.
Para realizar estes momentos de riso nos hospitais, a Operação Nariz Vermelho depende do apoio e financiamento de quem pode ajudar, particulares ou empresas, para manter o projeto. "Existem diferentes programas de apoio à instituição, orientado para as empresas. Por exemplo: o ‘Adopte um Hospital' com o qual as empresas financiam duas visitas semanais de uma dupla de Doutores Palhaços a um hospital, durante um ano. Ou o ‘Adopte um Palhaço' onde as empresas financiam as visitas anuais de um Doutor Palhaço. Há ainda o programa ‘Empresas Solidárias' para quem quiser contribuir para a saúde do nosso projeto, seja através do apoio nas áreas administrativas, comunicação ou tecnologias", indica Magda Ferro. Além destes donativos diretos, a Operação Nariz Vermelho tem ainda outras campanhas como "Meta o Nariz por esta Causa" que "incentiva os colaboradores a vender sacos de 10 narizes a quem quiserem. Esta iniciativa funciona também como uma ação de teambuilding que promove o espírito e a entreajuda dos colaboradores. Temos empresas que já conseguiram angariar 12 mil euros!", conta. Outro exemplo de apoio é o "Arredonda o Salário" em que a empresa pode arredondar o vencimento dos colaboradores e doar a diferença à Operação Nariz Vermelho.
E porque "brincar no trabalho também é importante", defende Magda Ferro, a instituição organiza ainda workshops que pretendem trazer o humor às organizações. "Temos um workshop, ‘À Procura do seu Palhaço Interior', que partilha ferramentas que podem ser aplicadas nas relações profissionais, por exemplo. A produtividade e a comunicação entre equipas pode melhorar e muito", garante. Mais recentemente, a Operação Nariz Vermelho desenvolveu um novo produto empresarial - a "Hora Extraordinária" - que recria o ambiente e as relações típicas de uma organização. "Trabalhamos as dinâmicas desse ambiente em sketch de forma a caracterizar as relações. O objetivo é ajudar a resolver questões mais sensíveis que acontecem em qualquer departamento de uma empresa, na área comercial, por exemplo", revela a responsável. Os "espetáculos" não acabam aqui e não são todos entre portas. Para o ano está marcado mais um da Operação Nariz Vermelho: o primeiro encontro de doutores palhaços em Portugal. O que garantem? Muitos momentos de riso, a todos. Em nome das crianças.

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