Bons Negócios

Exago

Bastidores  |   09 Jun 2016

A jogar é que a gente consegue mais ideias. A expressão "a falar é que a gente se entende" muda aqui um pouco mas só para explicar o que a empresa portuguesa Exago acredita. E defende. Trabalham na área de inovação há oito anos e desenvolveram um software de gestão de ideias - o Idea Market, mercado de ideias em português - que desafia através da gamificação os colaboradores de uma empresa a apresentarem ideias e soluções para melhorar o negócio no qual trabalham. "Queremos ajudar as organizações a trabalharem a inovação espontânea ou incremental, utilizando o melhor ativo que as empresas têm: os seus colaboradores, que são quem sabem mais do seu negócio. Com o Idea Market pretendemos ajudar os nossos clientes a terem de ideias para obter melhorias nos processos que têm e como otimizá-los, como podem reduzir os custos, como podem mudar a cultura da empresa, como podem melhorar um serviço ou produto para serem mais competitivos, como podem oferecer uma melhor experiência ao cliente", explica Diana Neves de Carvalho, CEO da tecnológica Exago.
E como entra aqui a componente de gamificação? A solução funciona mais ou menos como a Bolsa de Valores do mercado financeiro. As empresas definem os desafios que vão lançar na plataforma e convidam os seus colaboradores a partilharem ideias para os resolverem. O jogo começa quando os participantes começam a investir a sua carteira de pontos virtuais nas ideias que mais acreditam. "Por exemplo, podemos entrar no jogo com 5 mil pontos e usar esses pontos para apostar nas ideias que achamos que têm potencial para depois serem implementadas dentro da organização". A responsável da Exago defende que a solução "é muito diferente de um mecanismo normal, por exemplo, de votos, em que dizemos ao nosso colega para votar na nossa ideia. Na verdade, é um mecanismo que torna a curadoria da informação muito mais fina. E porquê? Aqui as pessoas têm um incentivo para fazer uma boa avaliação. Porque podem ganhar com um bom investimento, como podem perder pontos com um mau investimento". Mas há mais: além dos pontos que podem ganhar, os colaboradores podem ganhar prémios. "No final de cada ciclo de desafios as pessoas podem trocar os pontos por um voucher num spa, um iPad ou um pequeno-almoço com o CEO, por exemplo. Tudo é definido pela organização".
As melhores ideias aprovadas por esta "comunidade" de colaboradores são depois analisadas pelo departamento da empresa que lançou o desafio. Ou seja, se é um desafio na área de logística, são analisadas pela equipa responsável por esse departamento. E aí decidem se vão ou não implementar a ideia. Ou ideias. Diana Neves de Carvalho indica que esta é uma das grandes vantagens do Idea Market: "em vez de termos as equipas de gestão e de inovação a olharem para mil ideias, de repente só têm de olhar para 80. Cria-se aqui uma forma eficiente de filtrar e ao mesmo tempo de mobilizar as equipas neste jogo."
A solução da Exago já foi utilizada por várias empresas. Por cá e lá fora. EDP, Roche, CTT, Liberty Seguros, Carrefour, Enel , Portugal Telecom são alguns exemplos de clientes. E os resultados foram todos positivos, de acordo com a CEO da tecnológica portuguesa. "O case da PT é muito interessante. Conseguimos a participação de 10 400 pessoas, obtivemos 16 350 ideias e 35 milhões de euros de retorno pela implementação da solução. Além disso, a PT tem um indicador para analisar o alinhamento dos colaboradores com a estratégia da empresa e este subiu de 58% para 76% após a implementação do Idea Market. O que é bastante bom. Este tipo de ferramenta ajuda não só a trabalhar a inovação, não só a mobilizar e a alterar a cultura de uma empresa, mas também funciona muito bem como uma ferramenta de comunicação das próprias estratégias das organizações".

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