Bons Negócios

Coaching is all about insight, not input

Opinião  |   05 Mai 2016  |  Por: Maggie João

Coaching é uma das ferramentas de gestão mais poderosas dos nossos tempos. Na verdade, fazer coaching de qualidade requer arte e ciência e nem sempre é das ferramentas mais fáceis de se aplicar. Muitas pessoas pensam que coaching é fazer umas perguntas, pôr as pessoas a pensar, dar algumas dicas e sugestões de como se pode fazer melhor e já está. Esta é a versão malfeita do coaching. Como o leitor pode ou não saber, o coach profissional não sugere, não diz faz assim ou faz assado e sobretudo não se cinge apenas a planos de ação. Nem tudo passa por FAZER, mas tudo passa por SER. E este pequeno detalhe faz toda a diferença!
Como supervisora de coaches, tenho conhecimento de várias questões pertinentes que assolam os coaches que atuam no mercado. O espaço de supervisão ajuda-os a desenvolverem-se, clarificando dúvidas, posturas, abordagens, enfim, a serem continuamente melhores. Assim, numa sessão de supervisão de coaching que dei, estava a explicar à coach supervisionada, a arte de não sugerir mas mesmo assim facilitar conhecimento no outro. Quando ela me disse algo como (embora talvez não tenha sido epis verbis): "Os meus clientes estão ali às voltas e eu quero ajudá-los a sair dali e dar-lhes algum input!" Os meus sentidos de alerta ligaram-se logo e foi quando lhe falei que em coaching a questão não é input, e sim insight. A coach, quis saber a diferença. E eu fiz o que muitas vezes tem de ser feito e apliquei o princípio simples do back to the basics. E desenhei. Peguei no papel e caneta que tinha à minha frente e fiz um desenho, explicando a diferença entre input e insight. Input é algo externo a nós, cujo movimento é de fora para dentro. Insight é exatamente o contrário, vai de dentro para fora.

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Quando falamos de facilitação de conhecimento, nomeadamente de autoconhecimento, este insight torna-se poderosíssimo, porque sermos nós próprios a constatar algo é mais profundo do que este algo ser-nos mostrado, e sermos nós a propormos fazer algo tem outro compromisso, porque a "com promessa" é para nós, que somos o elemento mais importante nas nossas vidas.
Da próxima vez que estiver a fazer coaching, quer seja externo, interno, aos seus colaboradores diretos ou indiretos procure despertar insights e não dar inputs. Dar inputs é fácil, basta acreditar em mim e saber que posso e devo partilhar algo que sei que funciona, ou que não funciona, e assim alertar o outro. Despertar insights, é acreditar no outro, nas suas qualidades e competências, usar os seus recursos ou (re)criá-los para atingir os objetivos a que se propõe e/ou para fazer acontecer os seus sonhos.
Até mesmo os verbos antes das palavras insight e input são distintos. Dar um input requer uma certa passividade de quem o está a receber, e na verdade para funcionar tem de haver recetividade desse input, às vezes há apenas uma cerimónia e o coachee diz apenas "Vou tentar fazer isso". Despertar insight requer já uma certa atividade da parte de quem tem o insight - o coachee, até mesmo uma mudança de um estado para outro mais consciente. E é nesta passagem que a magia acontece.

Maggie João

executive coach

Maggie João é executive coach, credenciada pela ICF - Internacional Coaching Federation. É também supervisora de coaches, tendo como objetivo ajudá-los a melhorar continuamente como profissionais, pondo o seu foco na excelência e qualidade da profissão. É a presidente da ICF Portugal para 2015-2017. Publicou 12 livros sobre coaching, é formadora nas áreas comportamentais e tem vindo a trabalhar com empresas multinacionais. www.maggiejoao-coaching.com

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