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Chaves-Verín, dois países num único território

Opinião  |   05 Mar 2016  |  Por: António Cabeleira, presidente da Câmara Municipal de Chaves

Desde o início da sua constituição, a União Europeia assumiu a coesão territorial, a redução das assimetrias e o esbatimento das fronteiras como objetivos importantes na implementação de ações e políticas. É também por esses motivos que, ao longo das últimas décadas, os vários programas de cooperação transfronteiriça foram configurando apoios, promovendo as relações de proximidade e a procura de soluções comuns para problemas e obstáculos similares com que os cidadãos e as administrações se deparam nas áreas de fronteira.
O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Chaves-Verín (AECT Chaves-Verín) surgiu com esse objetivo, o de criar uma sociedade de interesses comuns que culmine numa zona franca social sem a qual a cooperação, tal como a entendemos, não produzirá os efeitos desejados. Contribuir para o surgimento de vantagens competitivas, promover a criação de estruturas cooperantes, aproveitar as sinergias acrescentando valor, são objetivos que o AECT tentou e tenta prosseguir, através de uma política comum em diversas áreas, de que são exemplos: a cultura, o turismo e a sustentabilidade.

Percorremos um caminho a partir da elaboração de uma agenda estratégica, que conta com várias realizações. Entre elas, a criação do cartão de eurocidadão (permite o acesso dos cidadãos de Chaves-Verín a serviços municipais, gratuitamente ou a preços reduzidos), a implementação conjunta de várias iniciativas ou atividades e uma agenda de eventos comum. Também com o objetivo de valorizar a fruição de parte dos nossos recursos, construímos uma Ecovia que liga Chaves a Verín, bordejando o Rio Tâmega, que constitui um elemento estruturante do nosso território.
Cientes que integramos uma região de baixa densidade populacional, mas com grandes atrativos/recursos e/ou singularidades (riqueza e diversidade em águas mineromedicinais, termalismo, património histórico, sociocultural, paisagístico, gastronómico, hoteleiro), apostamos na promoção territorial através de várias realizações e suportes, de forma a potenciar o crescimento do setor turístico. A este respeito, destaca-se a utilização de um dos principais recursos, a água. Chaves-Verín possuem uma das maiores concentrações de águas hidrominerais da Europa, pelo que não é de estranhar que sejamos conhecidos como a "Eurocidade da Água" ou como um destino turístico termal. Dispomos de uma plataforma digital, a qual, além de promover conjuntamente os nossos recursos endógenos, permite ao setor empresarial hoteleiro divulgar os seus estabelecimentos e serviços, possibilitando igualmente aos potenciais interessados reservar diretamente o alojamento pretendido.
Este nosso destino comum demonstra como uma região que integra dois países diferentes encontra nas complementaridades uma riqueza. Criámos uma marca aglutinadora e única: "Chaves-Verín", dois países num único território.

Não podemos esquecer que a existência de fronteiras presidiu à lógica da planificação e administração do território. Seria excessivo esperar que, por um passe mágico, se transformasse facilmente essa lógica, mesmo em espaços limitados de fronteira. Entendemos as dificuldades em implementar uma política própria, que responda aos desafios e às especificidades dos territórios transfronteiriços, mas estamos conscientes que esse é o caminho.
Tendo em conta as atribuições e competências das duas Autarquias e do AECT Chaves-Verín, o alcance das metas traçadas só poderá ser plenamente atingido por nós através da implementação de políticas inovadoras para as áreas transfronteiriças por parte dos governos nacionais e da União Europeia. O recente prémio Regiostar, que recebemos em Bruxelas pelo reconhecimento do nosso trabalho, incentiva-nos a prosseguir e encoraja-nos a fazer cada vez melhor.


ANTÓNIO CABELEIRA
PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CHAVES

Formado em Arquitetura Paisagista pela Universidade Técnica de Lisboa, António Cabeleira iniciou a sua carreira como Técnico Superior da Direção Geral de Ordenamento em 1984. Mais tarde, em 1996, assumiu a posição de chefe de divisão na Câmara Municipal de Ribeira de Pena. Em 2002, começou a trabalhar como vereador na Câmara Municipal de Chaves, onde é agora presidente, desde 2013.

 

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