Bons Negócios

As cidades fazem as empresas?

Opinião  |   14 Mar 2016  |  Por: Miguel Gonçalves, fundador da Spark Agency

Para existir um ecossistema de empreendedorismo numa cidade é necessário começar por criar uma comunidade de suporte que lhe proporcione uma infraestrutura humana: estudantes, investigadores, professores, empresários e investidores, entre outros. A criação destes ecossistemas em Portugal tem vindo a tornar-se uma realidade crescente ao longo dos últimos anos e é hoje indiscutível que o trabalho iniciado, sobretudo de há 5 anos a esta parte, em cidades como Braga, Porto ou Lisboa começa a derivar os seus primeiros grandes resultados. Estes ecossistemas estão a desenhar inovação lucrativa, a criar novos negócios e a promover a criação ativa de postos de trabalho.

Contrariamente a algumas perceções populares, uma qualquer cidade não precisa de ser Silicon Valley para conseguir criar valor. Boulder, uma pequena cidade no Colorado com pouco mais de 100 mil habitantes, pode ser uma boa referência para nós. Mantiveram a comunidade startup ativa, criaram condições para as empresas, atraíram investimento, especializaram-se em tecnologias críticas e ao longo dos últimos 20 anos tornaram-se um sistema rico e exemplar. Segundo o US Census Bureau, em 2011, o PIB da cidade foi de 18,9 mil milhões de dólares, parte devido à força do ecossistema de criação de startups. Em Startup Communities: Building an Entrepreneurial Ecosystem in Your City, Brad Feld documenta a estratégia, a dinâmica e a perspetiva de longo prazo necessária à criação de comunidades de empreendedores considerando como transferir know how e gerar sinergias de rede entre os diversos agentes, tendo como referência cerca de 20 anos de trabalho nesta cidade. O autor apresenta dados, ideias e considerações sobre como fazer crescer estas comunidades, tanto em amplitude como profundidade. Acima de tudo documenta como este processo deve integrar um conjunto alargado de agentes e não pode, nem deve, ser entendido como um objetivo de curto prazo onde as métricas de análise sejam, também elas, de curto prazo.

Considerando um exemplo que muito me orgulha, Braga é hoje uma voz viva e a representação de uma ideia inquieta, atrevida e tudo o que um ecossistema de aceleração pode ser. A cidade está a fazer um incrível walk the talk e há muita gente diferente a fazer acontecer Braga! Estudantes, investigadores, professores, empresários e investidores convivem com frequência numa vasta tipologia de eventos e sinto que os próximos anos vão continuar a ser os de uma cidade inteligente que experimenta atrair smart money, construir empresas e exportar tecnologia. Dos materiais inteligentes, às células estaminais, do software ao machine learning, dos laboratórios de testes de hardware às meias biométricas que guardam dados na nuvem. Braga é a confirmação de que um grupo de pessoas, movido e mobilizador, pode, gradualmente, transportar para um conjunto cada vez mais alargado de pessoas e agentes, o DNA do crescimento.

 

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