Bons Negócios

“NETWORKING NÃO É APENAS ESTABELECER CONTACTOS, É CRIAR RELAÇÕES"

Experiência  |   05 Dez 2017

Autor do livro "Networking - Guia de Sobrevivência Profissional", Filipe Carrera é um networking coach. Já deu uma série de palestras sobre o tema, por cá e lá fora, e é contactado por vários profissionais que querem aprender a fazer networking. O formador, e orador em mais de 50 países em quatro continentes, defende que o networking deve ser encarado como uma parte da vida de qualquer profissional e que todas as pessoas devem investir na sua pegada digital, utilizando o LinkedIn e outras plataformas disponíveis, como o Twitter, o Facebook e até mesmo o WhatsApp. O importante é saber escolher quais as redes para comunicar com atuais e futuros contactos. E saber criar relações.


Acredita que para sermos um empresário de sucesso nos dias de hoje não podemos descartar o networking online? Porquê?
Um empresário só tem sucesso se escutar os seus clientes. Através deste processo ele consegue compreender quais as razões subjacentes à compra ou não do seu produto, qual é o real posicionamento do produto, como pode melhorar a sua oferta, entre outras informações vitais na construção do sucesso. O networking online é mais um canal de diálogo com o mercado, sendo cada vez mais o canal mais poderoso.

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Quais as maiores vantagens do networking online?
Penso que a principal vantagem é o imediatismo, a possibilidade de estar presente pelo mundo fora, 24 horas por dia, permitindo antecipar, mas também reagir rápido. O volume de informação que é possível tratar de forma simples e acessível é impressionante, o que agora é normal para qualquer profissional, nem os maiores capitães da indústria conseguiam fazer anteriormente com todos os seus recursos financeiros, materiais e humanos. Conseguimos chegar mais longe a uma audiência dispersa pelo mundo fora e que continua a crescer, abrangendo cada vez mais toda a população do planeta. E o custo da sua utilização, mesmo quando falamos de aplicações pagas, é ridículo quando comparamos com o manancial de informação e qualificação de contactos que permitem.

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Como podemos ser um bom networker digital? Que estratégias aconselha?
Primeiro temos que interiorizar o que é um networker. Numa tradução literal, um networker é alguém que trabalha a rede, conseguindo atingir objetivos profissionais e pessoais com o apoio da sua rede de contactos e conhecimento. Por isso, podemos dizer com toda a propriedade que fazemos networking desde o princípio da Humanidade. Agora temos à disposição meios digitais que nos permitem gerir redes infinitamente maiores do que conseguiríamos sem esses meios. Todavia, a primeira regra do networking, a partilha, não só permanece atual como é inerente às redes sociais online.

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Criar ou partilhar conteúdos, por exemplo, pode ser uma boa estratégia?
Vivemos na sociedade do conhecimento, em que os profissionais são valorizados pelo conhecimento que têm e que podem ativar rapidamente através de outros pelas suas redes. A forma de alguém ser reconhecido como um especialista numa determinada matéria depende muito mais das partilhas que faz do que do seu Curriculum Vitae, pois este é apenas uma declaração não validada pelo mercado. Quando partilhamos de uma forma altruísta, com a nossa rede e não só, estamos a contribuir para o aumento de valor da rede e a atrair novos contactos. Isto é, não devemos esperar ter seguidores para começar a partilhar conteúdos, devemos utilizar essa partilha como uma estratégia para manter e aumentar o número de seguidores, criando simultaneamente um canal de comunicação com o mercado em que estamos inseridos.

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Além das redes sociais, existem outras formas de fazer networking online?
O mundo online é rico e diversificado em meios e recursos para o networking online, em que as redes sociais online têm um papel importante, mas não são os únicos meios à disposição do networker digital. Existe uma quantidade significativa de plataformas colaborativas que permitem trabalhar as redes de uma forma profissional e muito focalizada em projetos ou ações concretas. Por exemplo, ferramentas de comunicação como Skype, WhatsApp, FaceTime, entre outras, permitem que a comunicação não seja apenas escrita podendo acrescentar elementos de comunicação não-verbal tão importantes na comunicação entre seres humanos ao longo da história. Podemos mesmo dizer, considerando a imensa oferta de meios existente, que é uma nova e necessária competência saber fazer uma escolha acertada do meio a utilizar em função dos objetivos e audiência a alcançar.

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Qual a melhor plataforma online para estabelecer novos contactos profissionais? O LinkedIn ainda é a mais indicada?
O LinkedIn é uma plataforma com muitas virtudes para o networking online, que se dirige a profissionais, sendo o maior ponto de encontro a nível mundial. No entanto, eu não aposto tudo no LinkedIn, plataformas como o Twitter, o Facebook, o YouTube e outras plataformas especializadas são também importantes, pois uma vez mais, networking não é apenas estabelecer contactos, é criar relações. E, para tal, temos que estar onde os nossos contactos atuais e futuros estão.

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Há muito a ideia de que o LinkedIn é utilizado só por quem está à procura de emprego. É verdade ou também é possível fechar negócios, vender mais, estabelecer parcerias?
Infelizmente o LinkedIn é muito associado à procura de emprego por muitos utilizadores. Quantas vezes vemos profissionais a melhorarem os seus perfis e a procurarem recomendações e pouco tempo depois estão desempregados? Mas isto não é culpa do LinkedIn, acontece por que muitas pessoas acham que isto do networking é só para quando andam à procura de emprego, se têm um bom emprego não precisam de fazer networking. Tenho sido abordado por muitos profissionais que estão em risco de ficarem desempregados, ou já o estão, e pedem-me sugestões de como podem começar a fazer networking para arranjarem uma alternativa profissional. Para sua surpresa digo-lhes que já vêm tarde, o networking é uma parte da vida de qualquer profissional, da mesma forma que o LinkedIn é muito mais do que um moderno centro de emprego. O LinkedIn é um poderoso motor de busca onde podemos encontrar especialistas que nos podem ajudar a aceder a novos conhecimentos, permite-nos identificar parceiros, fornecedores e clientes, fazer um perfil das pessoas com que nos relacionamos profissionalmente com o objetivo de encontrar pontos em comum.

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Quanto pode valer uma rede de networking online para um negócio? Vale a pena investir o nosso tempo?
Nunca consegui valorizar uma rede de networking online, pois quanto vale um contacto? E quanto custa não ter um contacto? São questões que podemos colocar desde os primórdios da Humanidade. O que posso dizer com toda a certeza é que as pessoas são mais ou menos valorizadas em função da sua pegada digital. Antigamente quando queríamos ter informações sobre uma pessoa questionávamos outras pessoas. Hoje vamos ao Google e num segundo temos acesso a uma miríade de dados. Mas a ausência de dados também pode ser uma informação importante, imagine um "especialista em networking online" sem pegada digital, tal é uma contradição entre o que se advoga e o que se pratica.

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O networking online é a ferramenta perfeita para quem quer expandir o seu negócio além-fronteiras?
Vou contar-lhe uma pequena história pessoal. A minha empresa sou eu. Dou aulas, formações e sou orador convidado em mais de 50 países em quatro continentes, com livros publicados em mais de 80 países e em sete línguas. Nada disto teria sido possível sem o networking online. Tenho a sorte de viver num mundo em que esta tecnologia está disponível, mas também tive o engenho de a aproveitar.

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A teoria dos seis graus de separação do escritor húngaro Frigyes Karinthy, que surge no livro "Chains" publicado em 1929, foi no ano passado revista pelo Facebook. A rede social de Mark Zuckerberg defende agora que cada pessoa está a 3,5 graus de distância de qualquer outra pessoa do mundo. Concorda com esta teoria ou é um mito para si?
O LinkedIn trabalha com contactos até 3 graus de separação e se virmos as estatísticas de cada um de nós é claro e visível que o mundo está a encolher. O que antes era 6 ou 7 graus de separação reduziu-se para 4,3 ou mesmo 2 para pessoas com elevada exposição a nível mundial. Nunca na história da Humanidade estivemos tão interconectados. Conceitos como fronteiras, privacidade, horários, fusos horários e localização estão a ser postos em causa por esta nova realidade.

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Como é o cenário em Portugal, os empresários portugueses apostam no networking digital ou ainda preferem estabelecer novos contactos cara a cara?
As generalizações são sempre complicadas, fatores como os setores de atividade, estrato etário e literacia digital influenciam muito mais na utilização do networking online que a nacionalidade. O networking online, como qualquer inovação com uma elevada componente comportamental, comporta-se como um mancha de óleo que se espalha lentamente e sem parar até cobrir totalmente a área onde se localiza.
Como seres humanos preferimos o contacto cara a cara, como forma de mantermos uma comunicação verbal e não-verbal, mas cada vez mais a comunicação digital permite uma comunicação mais próxima da presencial.

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Quem é o perfeito networker para si, na sua opinião? E porquê?
Em 2009, quando decidi editar o meu livro "Networking - Guia de Sobrevivência Profissional" percebi que era importante ter um prefácio de alguém que fosse considerado um grande networker português. Como fazia parte da Direção da Associação dos Antigos Alunos do ISEG tinha um contacto frequente com o seu presidente, o Dr. Eduardo Catroga, que sempre me pareceu um exímio networker pelo que a escolha foi fácil. E como pessoa afável e disponível para ajudar que ele é, a resposta foi imediata e afirmativa. No meu entender, o Dr. Eduardo Catroga é um ótimo exemplo de networker, pois está sempre disponível para criar pontes e, muito importante, entre os seus amigos e contactos encontramos pessoas de origens muito diversas.

 

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