Bons Negócios

“A imagem tem de ser sustentada ao nível das competências"

Experiência  |   07 Mar 2017

Ter uma boa aparência não é suficiente no mundo dos negócios, mas pode ser uma boa forma de se destacar. As competências profissionais são também muito importantes para causar uma boa impressão. Ainda assim, conhecimento e experiência à parte, sabemos que formamos uma opinião a respeito de alguém baseado em 55% do aspeto visual. Por isso, há que cuidar da imagem se queremos passar uma atitude mais positiva e de confiança, defende Rita Carvalho, consultora de Comunicação e Imagem e autora do livro "Imagem Profissional - Guia de Estilo", onde revela a importância da imagem nos vários contextos empresariais e apresenta dicas que podem valorizar a nossa imagem profissional.

 

As primeiras impressões podem ser cruciais no mundo dos negócios. Alguns especialistas dizem que demora apenas três segundos para alguém determinar se gosta de nós e se quer fazer negócios connosco. Podemos ganhar alguns "pontos" e causar boa impressão através da roupa?
As pessoas formam até 90% da sua opinião ao fim dos primeiros quatro minutos, e 60 a 80% do impacto é de natureza não-verbal. Ou seja, se formamos uma opinião a respeito de alguém baseado em 55% do aspeto visual, 38% na maneira como a pessoa fala (tom de voz, gestos, postura e expressões faciais) e apenas 7% no conteúdo do que é dito, é fundamental causar sempre uma boa impressão num encontro. Convém relembrar que, muitas vezes, associamos a imagem apenas à aparência, mas existem outros fatores que contribuem para a forma como somos percecionados pelos outros. Se pensar em si como uma marca pessoal, então deve ter em conta aspetos como a higiene pessoal, que inclui o hálito, o odor e o aspeto limpo; a aparência, que deve ter em conta o contexto e a ocasião, o estilo de vida e as características físicas; os seus valores, que se refletem no comportamento; a postura física, relacionada com a linguagem não-verbal (como age e se comporta); e finalmente, a comunicação, o tom e a forma como se expressa, bem como a capacidade de argumentar e de influenciar os outros. Estes atributos aliados às competências e à experiência profissional são determinantes para transmitir confiança e uma impressão positiva. E, tal como menciono no meu livro, não nos podemos esquecer que as pessoas não deviam julgar-nos pela nossa aparência, mas é o que fazem. Sempre.

Quais as regras principais para se ter uma boa imagem profissional?
Sobretudo ter em conta o seu tipo de corpo, o contexto profissional e investir em peças de boa qualidade, que o valorizem. Os cuidados com a higiene pessoal também são essenciais, pois além do aspeto visual, estão relacionados com o odor e o hálito, que podem causar uma impressão negativa. Sem esquecer a postura e a atitude, pois uma pessoa confiante, educada, simpática, comunicativa e positiva cria uma maior empatia com os outros. E é fundamental ter o conhecimento e a experiência profissional necessárias para ter um bom desempenho e conquistar o respeito e a admiração dos que o rodeiam. A imagem é importante, mas tem de ser sustentada ao nível das competências de cada indivíduo.

A roupa pode influenciar a performance no trabalho?
A roupa pode influenciar a forma como somos percecionados pelos outros, mas também contribuir para aumentar a nossa confiança e autoestima. Como tal, é importante ter em conta o que nos valoriza, bem como o que mais se adequa ao nosso estilo de vida e necessidades profissionais. O conforto também é essencial, ou seja, se não se sentir confortável com o que usa, o mais provável é tal refletir-se na sua postura e atitude. Portanto, a imagem pode influenciar a performance profissional, ao contribuir para criar uma impressão positiva e atitude de confiança. Aliás, nas mais recentes eleições presidenciais norte-americanas (Hillary vs Trump), a imagem dos candidatos foi analisada ao pormenor pelos media, que estudaram o seu impacto junto dos eleitores, bem como as mensagens que cada um dos líderes pretendia transmitir na forma como se apresentou ao público, sobretudo nos momentos mais marcantes da campanha. O facto é que está provado que a imagem influencia o apoio e a votação nos candidatos.


"O dress code corporativo depende da cultura empresarial, mas também do tipo de clientes que se pretende impactar"


Existem setores que são mais rígidos no dress code, defendendo um vestuário mais conservador. Banca e consultoria, por exemplo. Devemos vestir-nos sempre de acordo com a nossa profissão?
É necessário ter em conta o dress code da empresa/instituição, mas também o estilo de vida, as características físicas e o contexto profissional. Há quem tenha de usar uma farda ou um fato e gravata para o desempenho da sua função, mas há sempre a possibilidade de personalizar o seu estilo, nomeadamente através de acessórios, desde que estes respeitem as orientações da empresa. Além disso, há quem tenha de representar a empresa em eventos, palestras e nos media, tendo uma exposição pública, por isso depende muito das necessidades profissionais. Quem trabalha em ambientes mais formais, como é o caso de escritórios de advocacia, consultoras financeiras ou instituições bancárias, está mais limitado nas suas escolhas, pois é valorizado um estilo mais discreto e uniforme. Mas tal não significa que tem de ter um visual monótono, pois pode sempre acrescentar o seu toque pessoal.

Existem algumas empresas que estão a tentar mudar as regras. Recentemente o banco JP Morgan Chase anunciou um business casual code para os seus funcionários. Concorda com este novo rumo?
É a prova de que as empresas são dinâmicas e acompanham a mudança de mentalidade e de hábitos da sociedade. É sempre positivo ver uma empresa que entende que a sociedade evoluiu e que o que era norma na época dos nossos pais deixou de fazer sentido para as novas gerações de colaboradores e de consumidores. Aliás, a regra do Casual Friday quando surgiu foi precisamente para permitir que os colaboradores deixassem o fato e a gravata em casa à sexta-feira. Mas há regras que permanecem: usar chinelos, roupa desportiva ou de praia, calções curtos, minissaias, transparências, grandes decotes e roupas rasgadas continuam a não figurar na lista de dress code das empresas.

Steve Jobs e Mark Zuckerberg também introduziram um dress code mais confortável. A roupa que devemos vestir pode variar consoante o cargo profissional?
Sim, claro. A área das novas tecnologias é um bom exemplo de como as empresas têm vindo a adotar um estilo mais informal, que reflete o seu posicionamento e a aposta em produtos e serviços cada vez mais inovadores, bem como num design mais moderno e atrativo para a nova geração de consumidores (millenials e geração Z). Portanto, o dress code corporativo depende da cultura empresarial, mas também do tipo de clientes que se pretende impactar.

Um almoço com um cliente ou um encontro com um potencial investidor. Devemos usar roupa adequada à natureza do encontro?
A adequação ao contexto é sempre importante. Neste caso, deve ter em conta o dress code do cliente ou potencial investidor, mas também qual é a mensagem que pretende transmitir com a sua imagem. O objetivo é mostrar que é um parceiro de respeito e que merece toda a confiança ou, pelo contrário, o que pretende é reforçar o seu lado inovador e criativo? Regra geral quanto mais elevado for o cargo ocupado e mais conservadora for a cultura da empresa, mais formal deve ser o dress code. Neste caso, deve apostar em tons neutros (preto, azul-marinho, bege, branco e cinzento) e tradicionais (vermelho, bordeaux, verde e azul), bem como em modelos clássicos e estruturados, como um blazer, camisa, vestido, saia lápis ou calças a direito. Se pretende revelar uma personalidade mais criativa e inovadora, opte por usar acessórios mais marcantes, uma peça statement ou adicionar um toque de cor. Neste caso, as mulheres podem investir num maxi-colar ou anel, numa echarpe colorida, num cinto ou sapatos animal print ou num casaco ou calças com um pormenor original. Os homens podem dar um toque personalizado ao seu visual, usando um lenço de bolso colorido que contraste com o tom da gravata, um colete ou umas meias diferenciadoras.

Qual o erro mais comum que cometemos na hora de criarmos a nossa imagem profissional? O que não devemos vestir de todo para o trabalho?
Acima de tudo é não ter em conta o contexto, o ambiente profissional e as suas características físicas. É importante respeitar o dress code da empresa e conhecer quais são as suas restrições e recomendações. No caso das mulheres é preciso, ainda, ter atenção para não colocar em evidência determinadas partes do corpo, como é o caso de grandes decotes, transparências, minissaias, roupa muito justa, jeans rasgados ou calças de cintura baixa, em que quando se senta deixam à vista a roupa interior. Em relação aos homens, é importante que as peças tenham um tamanho adequado ao seu corpo, estejam limpas e devidamente engomadas, para não passarem uma imagem desleixada ou de falta de higiene.

As cores da roupa são importantes? Se quisermos efetuar uma venda ou fechar um negócio, por exemplo, aconselha alguma cor específica para vestir durante a reunião?
As cores transmitem energia e emoções, por isso a psicologia tem estudado o seu impacto em áreas como a moda, design, arquitetura e comunicação. Neste caso, devem ser usadas de acordo com o que se pretende comunicar, mas também do público a quem se dirige. Se quer transmitir poder e liderança, o vermelho é a cor mais eficaz; se pretende conquistar a confiança dos outros, então o azul é a cor mais consensual, sendo por isso a mais utilizada nas reuniões de negócios e no universo corporativo; se quiser apelar a um público feminino, um apontamento rosa pode fazer a diferença, já que revela uma maior sensibilidade; se pretende revelar o seu lado criativo, o violeta pode ser uma boa opção; se gosta de um visual mais sofisticado e discreto, o preto é sempre uma boa aposta. De referir, que no caso das cores mais vivas e em ambientes mais formais, o melhor será recorrer a peças de menor dimensão ou acessórios (gravata, lenço, etc).


"Se quer transmitir poder e liderança, o vermelho é a cor mais eficaz"


A imagem digital também é importante nos dias de hoje? Na sua opinião, devemos ter uma fotografia de perfil mais profissional nas redes sociais?

No caso das redes sociais é interessante observar de que forma a imagem que transmite tem implicações na vida profissional. Os especialistas afirmam que ter uma foto no seu perfil aumenta até sete vezes a probabilidade de ser pesquisado no LinkedIn. A imagem deve, como tal, transmitir profissionalismo e ser representativa de como é que se apresenta no local de trabalho. Por isso, na hora de escolher a foto questione-se se esta está adequada à sua função e área profissional. Ficam assim excluídas desta seleção todas as fotos tiradas nas férias, na praia, no ginásio ou em festas, a não ser que a sua profissão esteja relacionada com estas áreas.

Porque é que devemos procurar ajuda de um especialista/consultor de imagem?
O consultor de imagem é um profissional que pode ajudar a identificar as necessidades, objetivos e características físicas de cada pessoa, de forma a valorizar a sua imagem e ajudar a ter uma maior consciência do seu corpo, mas também de como pode rentabilizar os seus recursos financeiros e o tempo disponível. É um pouco como fazer um fato à medida, pois cada pessoa tem características, necessidades, objetivos, contextos e estilos de vida diferentes.

 

DICAS PARA TER UMA IMAGEM MAIS PROFISSIONAL
1. Invista em peças adequadas ao seu contexto profissional e versáteis, de forma a rentabilizar o seu guarda-roupa
2. Certifique-se que as peças estão limpas e arrumadas
3. Invista em peças básicas, modelos clássicos e de qualidade para a base do seu guarda-roupa
4. Personalize o seu estilo com acessórios
5. Os sapatos devem ser confortáveis e estar sempre limpos
6. Planeie o seu visual no dia anterior
7. Adeqúe o seu guarda-roupa às suas características físicas.

 

 

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